sexta-feira, 21 de junho de 2013

Galeria | Loja OBJECTISMO, Lisboa

A nova Galeria | Loja OBJECTISMO, ontem inaugurada, dedicada à produção de cerâmica portuguesa do pós-Guerra, vem colmatar uma lacuna nesta área expositiva, correspondendo aos anseios de muitos coleccionadores e aficionados, entre os quais nos incluímos.  
A iniciativa nasce da parceria entre o arquitecto Nuno Cardoso e o engenheiro José Paiva, ambos coleccionadores e apaixonados por design e artes decorativas. Pretende divulgar e comercializar cerâmica, industrial ou de autor, produzida em Portugal entre o início da década de 40 e o final dos Anos 80.

Segundo os seus mentores "OBJECTISMO é uma galeria que ambiciona divulgar as peças produzidas nas mais importantes fábricas e olarias portuguesas, infelizmente já encerradas, assim como apresentar pequenas exposições temáticas. 
Excepcionais serão as exposições de artistas de excepção, tais como Hansi Staël, José Aurélio, Júlio Pomar, Luís Ferreira da Silva, Thomaz de Mello (Tom), entre outros não menos importantes, que no conjunto da sua diversificada experimentação criativa, nos deixaram peças cerâmicas que testemunham o que de mais inovador e revolucionário se produziu em Portugal em meados do século XX."



Galeria | Loja OBJECTISMO, aspecto geral. © Nuno Cardoso


A OBJECTISMO fica situada na Rua D. Pedro V, 55, ao Príncipe Real, zona comercial e histórica, no coração da cidade, em permanente renovação. 
Integra um edifício projectado em 1899, situado à entrada do Bairro Alto, na esquina com a Rua da Rosa, emblemático pela presença da Padaria São Roque, com decoração de interiores da viragem do século.



Galeria | Loja OBJECTISMO, detalhe da fachada. © Margarida Dias


A fachada recupera um friso em azulejos ao gosto Arte Nova, até agora oculto. Este friso é parte integrante de um importante conjunto azulejar, distribuído pelas sobre-portas do bloco, reproduzindo os elementos iconográficos comuns aos painéis do interior da Padaria, fundada no início do século XX. Os motivos são alusivos à actividade do estabelecimento comercial, espigas de trigo, elementos florais e animais.



Padaria São Roque, Lisboa - detalhe do interior. © CMP



Padaria São Roque, Lisboa - detalhe do interior. © CMP


A arquitectura de interiores da galeria, da autoria de Nuno Cardoso, tira eficientemente partido de um espaço que, sendo exíguo, se pretende dinâmico. 
Constituindo o suporte perfeito para um heterodoxo acervo em constante mutação, alia na perfeição um equilíbrio sóbrio a um bem-humorado sentido lúdico. O espaço fomenta o diálogo com as peças expostas, sublinhando as suas qualidades expressivas através de um eficaz desenho de iluminação.




Galeria | Loja OBJECTISMO, interior. © Nuno Cardoso


Galeria | Loja OBJECTISMO, aspecto parcial. © Nuno Cardoso



No momento de abertura, a OBJECTISMO apresentou uma ecléctica colecção de peças, deixando prever a variedade das suas propostas. 
Entre outras, figuravam peças de cerâmica decorativa, de várias épocas, das Fábricas Aleluia, Aveiro; da Fábrica de Loiça de Sacavém, série Arte Nova, da autoria de Maria de Lourdes Castro e não só; SECLA, estúdio e produção corrente; olaria da Freiria, Torres Vedras; Sociedade de Porcelanas de Coimbra; Faianças de S. Roque, Aveiro; Vitrin, Alcobaça; faianças Aires C. Leal, Caldas da Rainha e ainda algumas peças de autor assinadas pelos ceramistas Luís Ferreira da Silva e Carlos Vizeu.




Algumas peças expostas na OBJECTISMO. © CMP




Detalhe de jarra da fábrica SECLA, Caldas da Rainha. © Margarida Dias



Galeria | Loja OBJECTISMO, aspecto parcial. © Nuno Cardoso




Algumas peças expostas na OBJECTISMO. © CMP




Detalhe de caixa da fábrica Aleluia, Aveiro. © Margarida Dias



Galeria | Loja OBJECTISMO, aspecto parcial. © Nuno Cardoso


CMP* deseja o maior sucesso a este projecto inovador. 
O facto de associar uma missão didáctica e informativa à vertente comercial, torna-o pioneiro na defesa das manufacturas portuguesas e da sua história. Num tempo em que as unidades fabris continuam a encerrar, criando graves cisões sociais, iniciativas como esta demonstram que a produção cerâmica nacional se afirmou com qualidade e identidade, tanto do ponto de vista técnico como criativo.









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