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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cinzeiros - Aleluia

Como é habitual na produção da fábrica Aleluia, Aveiro, da década de 50, embora se desconheçam os seus designers e modeladores, verifica-se que eram conhecedores das tendências artísticas do seu tempo, convocando inúmeras referências da recente história da arte e demonstrando, através da concepção das peças, uma formação e informação bastante invulgares na produção portuguesa, predominantemente constituída por reproduções e cópias de modelos internacionais.
O cinzeiro modelo 630, já aqui publicado na versão 630 O e também divulgado pelo blogue Moderna uma outra nem tanto nas variantes 630 e 630 A, é desta vez alvo de análise na versão 630 B, uma variação cromática cujo exterior é verde claro e o rebordo verde nacarado um pouco mais escuro.
Esta peça é decorada com uma figura antropomórfica em movimento, evocativa das figurações inspiradas na Dança ou no Circo, desenvolvidas pelos artistas das Primeiras Vanguardas. 
Em especial nas características formais da obra de Hans (Jean) Arp (1886-1966) ou Henri Matisse (1869-1954) composta por formas dinâmicas, dominadas por linhas curvas, preenchidas por cores contrastantes e planas.


Aleluia - cinzeiro 630 B, Anos 50. © CMP

Aleluia - cinzeiro 630 B, Anos 50. © CMP

Aleluia - cinzeiro 630 B, Anos 50. © CMP

Aleluia - cinzeiro 630 B, Anos 50. © CMP

Aleluia - cinzeiro 630 B, marca de fábrica. © CMP

O motivo decorativo deste cinzeiro, também aplicado noutras peças, parece decorrer directamente das influências que os últimos trabalhos de Matisse exerceram sobre a produção gráfica da década de 50.
O legado de Matisse é extenso e de importância fundamental para o século XX, no entanto, foi com a publicação de Jazz (1947), obra reveladora de uma maturidade resultante do trabalho desenvolvido ao longo de quarenta anos, que o pintor chegou a uma vasta quantidade de publico não especializado, através da reprodução em série.
Jazz, concebido já no final da vida, é um livro de artista com cerca de cem páginas impressas a stencil, baseadas nas colagens de recortes de papéis pintados, realizadas pelo artista desde 1943.
Este álbum de páginas soltas foi editado por Tériade (1889–1983), crítico e editor de arte, que terá também sido o principal responsável pelo título. 
Matisse concebeu imagens relacionadas com o Circo e o Teatro, no entanto, o título Jazz, remete-nos para a ideia de improviso e para o advento do Bebop, no início da década de 40, inevitavelmente associado às vanguardas artísticas do pós Guerra.
Apesar de não ter sido escolhido pelo artista, o título adequa-se perfeitamente ao seu desenho rápido e sincopado, executado à tesoura, que, embora resulte tecnicamente de constrangimentos impostos pela enfermidade de que padecia, Matisse transforma num virtuoso exercício de sintetismo formal, rapidamente constituído modelo para os artistas gráficos das décadas vindouras.  
O motivo decorativo do cinzeiro 630 B, resulta da absorção de um conjunto de referências, algumas delas certamente vindas das páginas de Jazz.


Henri Matisse - Icare, Jazz, ed. Tériade, 1947.

Henri Matisse - Le Clown, Jazz, ed. Tériade, 1947.

Henri Matisse - Le Tobogan, Jazz, ed. Tériade, 1947.

Henri Matisse experimenta pela primeira vez a pintura cerâmica nos primórdios do movimento Fauve.
Com início cerca de 1904, o Fauvismo, cedo estabelece uma ligação à cerâmica através da colaboração de um grupo de artistas, próximos do coleccionador e comerciante de arte Ambroise Vollard (1866-1939), com o ceramista André Metthey (1871-1920).
Metthey, apostado em revigorar a pintura de faiança, funda uma pequena oficina em Asnières nos arredores de Paris, onde tira partido da utilização dos materiais locais, acreditando que pode criar uma nova linguagem sem recorrer ao pastiche historicista de finais do século XIX.
Vollard apoia-o agindo como catalisador da experiência, convida Matisse, Maurice de Vlaminck (1876-1958), Pierre Laprade (1875-1931), André Derain (1880-1954), Georges Rouault (1871-1958), Jean Puy (1876-1960) e o veterano Henri Rousseau (1844-1910), a deslocarem-se a Asnières e a envolverem-se nas actividades da oficina de Metthey. Os Fauve recebiam as peças em branco, prontas a serem pintadas, não tendo qualquer responsabilidade na modelação.
Matisse desde logo demonstra interesse pela representação dinâmica do corpo, e a sua transfiguração em função do movimento, como demonstram algumas das peças que pinta na oficina de Metthey, pratos e vasos com figuração humana irão de imediato povoar as suas pinturas de interiores.


Henri Matisse - jarra com nus, 1905-06. © SuccessionH.Matisse


Os Ballets Russes, fundados em 1909 por Sergei Diaghilev (1872-1929), marcaram de forma indelével a arte do século XX, desenvolvendo colaborações com alguns dos artistas fundadores da modernidade, como Jean Cocteau (1889-1963) ou Pablo Picasso (1881-1973).
Os primeiros espectáculos da companhia causaram uma forte impressão sobre os pintores Fauve, especialmente Matisse, que só bastante mais tarde teria oportunidade de com ela colaborar.
No mesmo ano em que os Ballets Russes se estrearam em Paris com Le Pavilion d’Armide, coreografado por Michel Fokine (1880-1942), o coleccionador russo Sergei Shchukin (1854-1936) encomendou a Matisse dois painéis decorativos, um representando a Dança e outro a Música, destinados ao Palácio Trubetskoy, sua propriedade em Moscovo. 
Rapidamente Matisse elaborou um primeiro estudo, La Danse (I), que dará origem à versão final de 1910. Nestas pinturas a linearidade das figuras associa-se à bidimensionalidade, reforçada pela economia no tratamento da cor. O pintor apercebe-se de que a ilusão de profundidade pode ser dada apenas através de  planos de cor, dando ênfase à dinâmica musical da composição.


Henri Matisse - La Danse (I), 1909. MoMA e La Danse, 1910. HermitageMuseum

Estas obras marcam a carreira internacional de Matisse, que se expandirá sob o signo da Dança.
Em 1932, a pedido de um dos seus maiores coleccionadores americanos, Albert C. Barnes (1872-1951), o pintor concebe um mural de grandes dimensões, subordinado ao mesmo tema.
Composto por três secções, La Danse II, destina-se a ser instalado nas arcadas do topo da galeria principal da Barnes Foundation, em Filadélfia.
Nesta obra o processo de sintetização da forma e da cor é acentuado, dando corpo à expressão "vida e ritmo", usada por Matisse para definir a dança.
As figuras, representadas de forma linear e sem cor, aparecem abruptamente cortadas, o fundo é interceptado por grandes faixas diagonais de cor plana, que se articulam com as arcadas, sublinhando a dinâmica dos corpos. 


Henri Matisse - estudo e mural La Danse II, 1932-33. BarnesFoundation


Alguns anos depois, Matisse terá finalmente oportunidade de colaborar com os Ballets Russes, que tanto o tinham impressionado na juventude.
Depois da morte prematura de Diaghilev, em 1929, a lendária companhia de bailado desfez-se, passando seguidamente por várias reencarnações, sob diferentes direcções, que deram origem a múltiplas tournées internacionais.
O Ballet Russe de Monte Carlo, foi criado por ex-membros dos Ballets Russes, em 1938, a partir da primeira reedição da companhia em 1932.
Léonide Massine (1896-1979), bailarino e principal coreógrafo da antiga companhia, foi um dos seus fundadores, mantendo as responsabilidades coreográficas.
Massine já tinha mostrado interesse em colaborar com Matisse, acabando por formalizar um convite, que dará origem ao bailado Noir et Rouge
Tendo como base musical a Sinfonia #1 de Dimitri Shostakovich (1906-1975), a peça terá estreia em Monte Carlo, em Maio de 1939, dando continuidade aos chamados ballets sinfónicos, criados por Massine imediatamente após a extinção dos Ballets Russes de Diaghilev, onde o coreógrafo trabalhou a partir de Sinfonias de vários compositores.
Matisse abordou a partitura de Shostakovitch através da cor, propondo cinco cores com significados alegóricos: branco - homem e mulher; amarelo - perversidade; azul - natureza; vermelho - materialismo e preto - violência. 


Noir et Rouge, Ballet Russe de Monte Carlo, 1939.

Os cenários, desenhados por Matisse e executados por Oreste Allegri, parecem retomar a as formas das arcadas da Barnes Foudation, já que a proposta do pintor para a coreografia de Massine seria um "vasto mural em movimento".
Os bailarinos usam fatos colados ao corpo, de cores planas pontuados por elementos gráficos, movendo-se num espaço estruturado pelos arcos do plano de fundo. Os grupos de bailarinos constituem grandes blocos de cor em movimento, como numa pintura viva 


Henri Matisse - secção do cenário de Noir et Rouge (reconstrução), Ballet Russe de Monte Carlo, 1939. ButlerUniv


George Zoritch (1917-2009), Nini Theilade (n.1915) e Marina Franca (1917-1999) em Noir et Rouge, Ballet Russe de Monte Carlo, 1939.

Henri Matisse e Alicia Markova com figurino de Noir et Rouge, Ballet Russe de Monte Carlo, 1939.


A concepção coreográfica de Massine, parece respeitar a proposta de Matisse de um "mural em movimento", já que é dominada por uma certa contenção do gesto, como pode observar-se no excerto de filme abaixo reproduzido, com comentário da primeira-bailarina Alicia Markova (1910-2004).





A dança manteve-se até ao final da vida, como assunto subjacente ao trabalho de Matisse, mesmo quando não era o tema desenvolvido, a dinâmica e a expressão do corpo estão presentes no modo como sintetizava as formas e as organizava no espaço. 
Em La Négresse (1952-53), uma das suas últimas obras, é evidente a memória de Josephine Baker (1906-1975) e das suas danças negras do final dos Anos 20 que agitaram Paris e serviram de mote a dezenas de obras de arte, sendo inevitavelmente transpostas para as artes decorativas e para a moda.


Josephine Baker, Danse Banane, 1927. Henri Matisse trabalhando e La Négresse, 1952-53. CPompidou

Matisse vai trabalhando em cerâmica pontualmente ao longo da sua carreira e, após a concepção do projecto decorativo da Chapelle du Rosaire (1951),  terá ainda uma última encomenda.
A coleccionadora americana e patrona das artes Frances Lasker Brody (1916-2009), pediu ao pintor que desenhasse um painel cerâmico para a sua residência em Holmby Hills, Los Angeles, projectada pelo arquitecto modernista A. Quincy Jones (1913-1979).
Matisse utilizou a técnica de recorte e colagem de papéis pintados na concepção do projecto, acabando por realizar três painéis de grande escala, até finalmente conseguir agradar à sua encomendadora, com a obra La Gerbe (1953), actualmente pertencente às colecções do Los Angeles County Museum of Art.
Este painel integrava na perfeição o pátio interior para que foi concebido, criando uma relação dinâmica com as plantas e mobiliário à sua volta.


Henri Matisse - La Gerbe, instalado na residência Brody, Los Angeles, 1953.


A paleta de cores primárias trabalhada por Matisse em Noir et Rouge, comum às experiências Neoplasticistas, Suprematistas e às propostas da Bauhaus, aparece ensaiada nas colagens preparatórias que antecedem o ballet. 
Este conjunto de cores orienta também as peças que compõem o Jazz, sendo igualmente dominante no motivo decorativo dos cinzeiros Aleluia, onde a figuração está imbuída de movimento e musicalidade. 
Os pontos de cor, que em Icare (Jazz) evocam o céu estrelado, podem aqui ser luzes de cena, remetendo para o universo da Dança, do Teatro ou do Circo, temas recorrentes na produção artística da primeira metade do século XX.

Henri Matisse - Deux Danseurs, colagem, 1938 WMOFA e motivo decorativo do cinzeiro 630, Aleluia, Aveiro. © AM-JMV


Retomando a temática dos cinzeiros Aleluia, vejamos ainda o modelo 630 com outras cores e decorações, satisfazendo diferentes propósitos, já que foi também usado para fins publicitários, respondendo a encomendas personalizadas.
Assim, no exemplar abaixo reproduzido podemos ver o motivo de naipes de cartas, na variante 630 J, com fundo azul e rebordo azul nacarado, com a inscrição a dourado "Recordação de Caldelas", produzido como recordação das Termas de Caldelas, destinava-se a ser vendido no local.


Aleluia - cinzeiro 630 J, 1950 - 60. © HPS

Aleluia - cinzeiro 630 J, detalhe. © HPS

Aleluia - cinzeiro 630 J, marca de fábrica. © HPS


Outra versão, datada de Maio de 1962, é uma edição limitada feita especialmente para a 1ª Reunião dos X anos de Formatura do Curso Médico de 1952, da Universidade de Coimbra. 
Neste caso, a marca de fábrica refere apenas o modelo, 630, sem fazer qualquer menção ao motivo decorativo.

Aleluia - cinzeiro 630, 1962. © HPS

Aleluia - cinzeiro 630, 1962, detalhe. © HPS

Aleluia - cinzeiro 630, 1962, marca de fábrica. © HPS


CMP* agradece aos vários coleccionadores a cedência de imagens de peças das suas colecções, bem como todas as informações e esclarecimentos prestados.



sábado, 10 de março de 2012

Caixa e Jarra - Aleluia

No seguimento da publicação feita pelo blogue Moderna uma outra nem tanto, com o título Caixa anos 50 - Aleluia-Aveiro, acrescentamos alguns elementos relativos às caixas com o mesmo formato produzidas pela fábrica Aleluia, Aveiro, nas décadas de 50 e 60.
Abaixo reproduzido está o corpo da caixa 857-F, à qual falta a tampa. 
Esta peça, cuja superfície é decorada com ogivas relevadas, é revestida com um vidrado creme, leitoso, ligeiramente craquelé e elementos gráficos a negro e laranja, sublinhados por filetes dourados.


Aleluia - corpo da caixa 857-F, Anos 50. © CMP

A este corpo, com c.14,8 cm de altura por 17,5 cm de diâmetro na boca, corresponde uma tampa com o formato semelhante ao da que reproduzimos a baixo, ainda que com uma decoração inteiramente diferente. A tampa mede c. 10,2 cm de altura e é decorada com filetes dourados, sendo pontuada a negro no topo.


Aleluia - tampa da caixa 090(?), c,1955-60. © AM-JMV

Aleluia - caixa 857-F, Anos 50. © AM-JMV


Aleluia - caixa 857-F, detalhe, Anos 50. © CMP




Aleluia - caixa 857-F, marca de fábrica. © CMP


Como é habitual a marca de fábrica aparece carimbada, acompanhada do número relativo ao modelo, bem como a letra equivalente à decoração e, neste caso, um pequeno "T" correspondente ao pintor responsável pela sua execução.



Esta decoração, a que faremos referência noutras publicações, é aplicada numa linha de peças de variados formatos.
Aqui fica a jarra 865-A, apresentando os mesmos elementos decorativos nas mesmas cores.


Aleluia - jarra 865-A. ©HPS

Aleluia - jarra 865-A. © AM-JMV



Aleluia - jarra 865-A, detalhe. © AM-JMV





Aleluia - jarra 865-A, marca de fábrica. © AM-JMV


Na última imagem, onde se pode ver a marca de fábrica, pode também observar-se uma marcação no frete, neste caso a letra "N". 
Estas marcações no frete são muito vulgares nas peças de fabrico Aleluia, ficando ainda por desvendar qual a sua função e significado no processo de produção.


CMP* agradece aos vários coleccionadores, em especial aos autores do blogue Moderna uma outra nem tanto, a cedência de imagens de peças das suas colecções, bem como todas as informações e esclarecimentos prestados.




sábado, 10 de dezembro de 2011

Jarra - Aleluia

Durante a década de 50, a produção da fábrica de cerâmicas Aleluia, Aveiro, reclama para o contexto nacional os valores propostos pelo Modernismo a nível internacional. 
Estes valores, baseados na elementaridade da geometria e do cromatismo, explorando as relações de interdependência entre forma e grafismo, procuram evitar o decorativismo típico da Arte Nova  e de alguma produção Art Déco. 
A jarra gomada modelo 706-A, com 19,6 cm de altura e 10 cm de largura, datada de c.1955, é um bom exemplo de um retorno a uma simplicidade estrutural própria das tendências Cubistas nas artes decorativas, onde os elementos gráficos pretos ou brancos aparecem combinados com cores planas, recuperando formas trabalhadas pelo designer checo Pavel Janak (1882–1956).


Aleluia - jarra 706-A, c.1955. © AM-JMV


Aleluia - jarra 706-A, c.1955. © AM-JMV


Aleluia - jarra 706-A, c.1955. © AM-JMV


Aleluia - jarra 706-A, c.1955, marca de fábrica. © AM-JMV


O Cubismo Checo nasceu por volta de 1910, em Praga, quando um grupo de jovens artistas e designers avant-garde, revoltados contra a exuberância floral Art Nouveau, resolveu importar os princípios Cubistas, explorados na pintura por Braque (1882-1963) e Picasso (1881-1973), para a arquitectura, mobiliário, e objectos utilitários e decorativos. 
O distintivo carácter angular das formas, ambicionando a libertação da "energia interna da matéria", segundo afirmavam os autores, é visível em todo o tipo de objectos, desde a cerâmica ao mobiliário, consumando-se em projectos de arquitectura onde  todo o edifício se articula com o design de interiores, numa concepção de "obra de arte total", como se verifica na Casa da Virgem Negra, em Praga, actualmente o Museu do Cubismo Checo.
Embora de curta duração, este movimento artístico é entendido como uma das principais influências sobre as tendências modernistas emergentes durante a década de 1920.



Pavel Janak - jarras, reedição actual dos originais de 1911. Modernista


O conjunto de jarras gomadas, acima reproduzido, é da autoria de Pavel Janak, principal teórico do Cubismo Checo, tendo sido produzido pela primeira vez pela Artěl, Praga, em 1911. 
Tal como a jarra Aleluia 706-A, estas peças exploram o relevo dos gomos pela utilização de  elementos gráficos contrastantes. Existiam em preto, branco e dourado com as medidas de 12 cm, 24 cm e 32 cm de altura, podendo ser combinadas entre si de modo a configurarem composições harmoniosas.
Janak foi arquitecto, urbanista e designer. Estudou em Viena com Otto Wagner (1841-1918) entre 1906 e 1908, tendo começado a sua carreira com Jan Kotera (1871-1923), um dos  mais importantes arquitectos checos do século XX.
Em 1911 tornou-se a figura de proa do Cubismo Checo, criticando a arquitectura contemporânea em escritos, como o artigo "O Prisma e a Pirâmide", publicado no mesmo ano,  um manifesto onde proclamava que apenas "através da violência e da disrupção de um plano anguloso entrecortado por linhas horizontais e verticais é possível animar a matéria inanimada criando estruturas plenas de energia dinâmica".


Pavel Janak - caixas, Artěl, Praga, 1911.


Demasiado ocupado com teorias, Pavel Janak nunca chega a construir em larga escala, acabando por ficar mais conhecido pelas peças de cerâmica que desenhou para  a Artěl, uma cooperativa fundada em 1908, segundo o modelo da Wiener Werkstätte, composta por um grupo de arquitectos e designers na vanguarda de um nacionalismo em crescimento. 
Jan Kotera proclama que desde a viragem do século é premente a necessidade de "libertar Praga de Viena". Contrastando com a produção da Wiener Werkstätte, as peças da Artěl eram "mais duras e intransigentes, não se deixando escravizar pelo luxuoso mercado Vienense", como escreveu em 1913, o arquitecto Josef Chochol (1880-1956).



Pavel Janak - caixa 847-1, Artěl, Praga, 1911-20. eBay

Pavel Janak - caixa 847-1, Artěl, Praga, 1911-20. eBay


Pavel Janak - caixa 847-1, tampa, Artěl, Praga, 1911-20. eBay


Pavel Janak - caixa 847-1, interior, Artěl, Praga, 1911-20. eBay


Pavel Janak - caixa 847-1, marca de fábrica, Artěl, Praga, 1911-20. eBay


A caixa acima reproduzida, modelo 847-1, com 11 cm de altura, é um original produzido pela Artel, entre 1911 e 1920, demonstrando na perfeição as ideias de Pavel Janak a respeito do desenho de peças em cerâmica: "Enquanto a arquitectura expressa plasticamente complexos encontros de forças em larga escala, o candelabro, a taça ou o jarro oferecem oportunidades para ensaiar situações dramáticas simples, acções e volumes que nos oferecem as condições ideais para pôr em prática as nossas noções cubistas da matéria e do volume da matéria".
O despojamento da cor, para que os planos cubistas sobressaiam através de jogos de luz e sombra, confere a estas peças uma actualidade surpreendente.
O trabalho de Janak foi uma influência maior para o estilo Art Déco, sendo o seu serviço de café preto e branco, um dos primeiros a utilizar o padrão zigzag no design moderno, e a sua caixa inspirada nas estruturas geométricas dos cristais, uma referência e um dos maiores símbolos do Cubismo Checo.


Pavel Janak - serviço de café, c.1912-19. Imagem retirada do livro Czech Cubism 1909–1925, edição Modernista & i3 CZ, 1991.




CMP* agradece aos autores do blogue Moderna uma outra nem tanto, a cedência de imagens de peças das suas colecções.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pequenas floreiras - Aleluia

Da série de pequenas floreiras ou vasos fabricados pelas cerâmicas Aleluia, Aveiro, durante a década de 1950, publicamos um conjunto de peças, de tamanho semelhante, constituídas por volumes de forma livre e orgânica, decoradas com cores planas e contrastantes. 

O modelo 526-A, abaixo reproduzido, mede 7 cm de altura e 16 cm de comprimento, a forma biomórfica e assimétrica conjuga elementos abstractos ondulantes a preto, branco e verde, no exterior, com um surpreendente interior amarelo primário.


Aleluia - floreira 526-A. © HPS


Aleluia - floreira 526-A. © HPS


Aleluia - floreira 526-A. © HPS


Aleluia - floreira 526-A. © HPS


Aleluia - floreira 526-A. © HPS


Aleluia - floreira 526-A. © HPS


Marca de fábrica. © HPS

A peça está marcada com o carimbo relativo à celebração do cinquentenário da fábrica, 1905-1955. Esta marca foi utilizada especialmente durante o ano de 1955, assinalando o aniversário, associando-se a várias iniciativas preparadas para o mesmo efeito.

O modelo 531-A, mede 9 cm de altura e 11 cm de comprimento, usa um esquema cromático semelhante ao modelo 526-A, no entanto a sua forma é bastante mais elementar. Tendo por base um formato convencional de vaso, um tronco de cone, cujas paredes foram comprimidas.


Aleluia - floreira 531-A. © HPS


Aleluia - floreira 531-A. © HPS


Aleluia - floreira 531-A. © HPS


Aleluia - floreira 531-A. © HPS


Aleluia - floreira 531-A. © HPS


Marca de fábrica. © HPS


O modelo 565-A, apresenta duas aberturas e uma pega, sendo apenas decorado a preto e branco no exterior. Mais uma vez, o interior é de um contrastante amarelo primário.


Aleluia - floreira 565-A. © HPS


Aleluia - floreira 565-A. © HPS


Aleluia - floreira 565-A, detalhe com etiqueta da fábrica. © HPS


Aleluia - etiqueta. © CMP

Esta etiqueta ou selo de fábrica, aparece estampada em peças promocionais (por exemplo cinzeiros) ou sob a forma de autocolante, em dourado ou prateado, colada nas mais variadas peças produzidas durante as décadas de 50 e 60.


Aleluia - floreira 565-A, detalhe do interior. © HPS


Marca de fábrica. © HPS





CMP* agradece a todos os coleccionadores pelas suas contribuições e imprescindível colaboração.