Aberta ao público em 1963, a estação Rossio do Metropolitano de Lisboa, faz parte da segunda fase de construção do 1º escalão da rede, que decorreu entre 1959 e 1963.
A obra segue as premissas gerais da empreitada, estando o projecto a cargo do arquitecto Falcão e Cunha e sendo o revestimento de azulejos da responsabilidade de Maria Keil (n.1914).
A obra segue as premissas gerais da empreitada, estando o projecto a cargo do arquitecto Falcão e Cunha e sendo o revestimento de azulejos da responsabilidade de Maria Keil (n.1914).
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| Átrio poente da estação Rossio na época da sua inauguração. Foto do Estúdio Horácio Novais (1930-1980) - Biblioteca Gulbenkian Flickr |
As escavações necessárias aos trabalhos de construção da estação, devido à localização no coração da cidade, proporcionaram a descoberta de uma variedade de achados arqueológicos.
Este conjunto patrimonial, que incluí vestígios da cidade romana, da cidade moura e das edificações do Hospital de Todos os Santos, destruídas no terramoto de 1755, foi tratado pelos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, passando a estar exposto no Museu da Cidade, onde se mantém actualmente.
Maria Keil resolve, neste contexto, reavivar a herança árabe na produção azulejar portuguesa, criando um padrão para o revestimento da estação onde recupera a utilização da técnica da corda-seca, evocando as construções geométricas mudéjares.
Este conjunto patrimonial, que incluí vestígios da cidade romana, da cidade moura e das edificações do Hospital de Todos os Santos, destruídas no terramoto de 1755, foi tratado pelos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, passando a estar exposto no Museu da Cidade, onde se mantém actualmente.
Maria Keil resolve, neste contexto, reavivar a herança árabe na produção azulejar portuguesa, criando um padrão para o revestimento da estação onde recupera a utilização da técnica da corda-seca, evocando as construções geométricas mudéjares.
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| Azulejos mudéjares de corda-seca, na Sala das Pegas do Palácio Nacional de Sintra. Foto de Joana Rodrigues/EPI. |
A corda-seca, técnica predominante na azulejaria do final do século XV e início do século XVI, consiste na separação dos vidrados coloridos por um sulco pouco pronunciado, preenchido com matéria gorda, evitando a contaminação entre os pigmentos hidro-solúveis, durante a esmaltagem e cozedura.
Esta técnica vem substituir em grande escala o alicatado, utilizado até segunda metade século XV, em que pequenas peças de cerâmica vidrada, de diferentes formatos, previamente cortadas com um alicate, se agrupam, criando intrincados padrões geométricos.
Este tipo de revestimento, semelhante ao mosaico, já que é composto por tacelos, peças monocromáticas de formato irregular justapostas, era de execução extremamente morosa, complexa e dispendiosa.
Acabará por dar lugar a técnicas mais simplificadas de efeito visual semelhante, como a corda-seca, que concentra num só ladrilho quadrado, esquemas e laçarias só possíveis de executar anteriormente utilizando inúmeros tacelos.
Esta técnica vem substituir em grande escala o alicatado, utilizado até segunda metade século XV, em que pequenas peças de cerâmica vidrada, de diferentes formatos, previamente cortadas com um alicate, se agrupam, criando intrincados padrões geométricos.
Este tipo de revestimento, semelhante ao mosaico, já que é composto por tacelos, peças monocromáticas de formato irregular justapostas, era de execução extremamente morosa, complexa e dispendiosa.
Acabará por dar lugar a técnicas mais simplificadas de efeito visual semelhante, como a corda-seca, que concentra num só ladrilho quadrado, esquemas e laçarias só possíveis de executar anteriormente utilizando inúmeros tacelos.
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| Amostras de alicatado e mosaico romano (em baixo), expostas na Catedral de Sevilha. © CMP |
O azulejo mudéjar estabeleceu-se na Península Ibérica durante o século XV, sendo que, em Portugal os registos mais antigos da palavra “azulejo” aparecem nos forais manuelinos, no início do século XVI.
Nesta época, o azulejo utilizado em território nacional era de produção sevilhana, já que, Sevilha era o maior centro fornecedor do mercado.
Nesta época, o azulejo utilizado em território nacional era de produção sevilhana, já que, Sevilha era o maior centro fornecedor do mercado.
| Azulejo de corda-seca com esferas armilares, na Sala de Dom Sebastião no Palácio Nacional de Sintra. |
No revestimento da estação Rossio, Maria Keil retoma a corda-seca, utilizando a técnica ao serviço de uma geometria elementar típica da linguagem formal moderna.
As técnicas arcaicas como o azulejo de aresta, a corda-seca ou o alicatado, haviam caído no esquecimento desde o século XVII, dando lugar a novas técnicas de pintura que proliferaram durante os séculos XVIII e XIX.
Durante a primeira metade do século XX, os revestimentos em azulejo perderam relevância, reduzindo significativamente o seu número. Nas construções das décadas de 30 e 40, orientadas pelas regulamentações do Estado Novo, os revestimentos em azulejo são muitas vezes preteridos a favor de outros materiais mais austeros.
Com os painéis do Metro de Lisboa, Maria Keil traz esta técnica ancestral para o século XX, insuflando um novo fôlego na produção azulejar moderna.
As técnicas arcaicas como o azulejo de aresta, a corda-seca ou o alicatado, haviam caído no esquecimento desde o século XVII, dando lugar a novas técnicas de pintura que proliferaram durante os séculos XVIII e XIX.
Durante a primeira metade do século XX, os revestimentos em azulejo perderam relevância, reduzindo significativamente o seu número. Nas construções das décadas de 30 e 40, orientadas pelas regulamentações do Estado Novo, os revestimentos em azulejo são muitas vezes preteridos a favor de outros materiais mais austeros.
Com os painéis do Metro de Lisboa, Maria Keil traz esta técnica ancestral para o século XX, insuflando um novo fôlego na produção azulejar moderna.
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| © CMP |
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| © CMP |
As imagens acima põem em evidência as relações formais entre elementos geométricos presentes em azulejos de corda-seca, de produção sevilhana, do Palácio Nacional de Sintra e detalhes do revestimento da estação Rossio.
Os elementos circulares de construção centralizada ou radial, em forma de estrela ou esfera armilar são assimilados dando origem a formas esquemáticas simplificadas que, mesmo na ausência da intencionalidade de citação directa, resultam, sem dúvida, da maturação de um passado cultural de vários séculos.
O revestimento é composto por uma quadrícula em tons de azul e verde, pontuada por elementos violeta.
Esta quadrícula constitui o fundo onde se inscreve, por via da corda-seca, uma trama linear de diagonais, regularmente interrompida por grupos de quatro azulejos onde figuram elementos de forma circular.
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| Estudo de Maria Keil para os azulejos da estação Rossio. Viúva Lamego |
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| Maria Keil - revestimento da estação Rossio (1962-63). © CMP |
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| Maria Keil - revestimento da estação Rossio (1962-63). © CMP |
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| Maria Keil - pormenor do revestimento da estação Rossio (1962-63). © CMP |
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| Maria Keil - pormenor do revestimento da estação Rossio (1962-63). © CMP |
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| Maria Keil - pormenor do revestimento da estação Rossio (1962-63). © CMP |
Neste detalhe pode observar-se o deficiente tratamento e remontagem dos painéis durante as obras de requalificação e expansão das linhas em 1999.
Vários azulejos foram danificados e trocados na remontagem, no caso acima, os quatro azulejos que compõem o círculo pertencem notoriamente a conjuntos diferentes.
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| Maria Keil - revestimento da estação Rossio (1962-63). © CMP |
Ver outras estações:
Maria Keil - Estação Campo Pequeno - Azulejos do Metro de Lisboa I
Maria Keil - Estação Parque - Azulejos do Metro de Lisboa III
Maria Keil - Estação Parque - Azulejos do Metro de Lisboa III












