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domingo, 17 de julho de 2016

Azulejaria moderna na exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa I




Nota prévia: centrando-se apenas na produção do século XX, esta é a primeira de duas publicações cujo texto é integralmente reproduzido das legendas da exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa, que permanecerá no Pavilhão Preto do Museu de Lisboa - Palácio Pimenta até 25 de Setembro de 2016. 

Esta mostra permite a rara oportunidade de ver exemplares de azulejaria outrora integrados em edifícios da cidade de Lisboa, salvos e preservados graças à acção de cidadãos, serviços e funcionários autárquicos, contribuindo para reforçar a evidência de que a cidade seria muito mais rica e interessante caso tivesse sido possível a conservação destas obras in situ
Vale a pena continuar a tentar, começando pela visita a uma exposição motivadora.    



§ § §



O Museu de Lisboa dispõe de uma vasta coleção de azulejaria que, pelo número, variedade e qualidade dos exemplares, se afirma como uma das mais importantes do país, constituída, sobretudo, por azulejos provenientes  de edifícios demolidos ou remodelados, de  prédios em ruínas ou de intervenções arqueológicas
Tendo por objetivo dar a conhecer tão importante acervo, a presente exposição, comissariada por José Meco, um dos mais reputados especialistas nesta área, procura mostrar alguns dos melhores exemplares da coleção do Museu de Lisboa numa perspectiva diacrónica, desde o século XVI até à atualidade, exibindo exemplares, tanto de interior como de exterior, representativos de diferentes estilos e funcionalidades.


Exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa. © CMP


No início do século XX, as manifestações eclécticas e românticas do período anterior foram renovadas através de duas tendências dominantes, a Arte Nova, adoptada pela burguesia ligada ao comércio e indústria, presente na decoração das lojas (como a Casa Gomes Ferreira, na Baixa), e uma produção de tendência nacionalista e historicista, favorecida pelas camadas mais tradicionalistas e conservadoras, desenvolvida por Pereira Cão, Enrique Casanova, Leopoldo Battistini e Jorge Colaço, o principal mentor desta corrente.



Vista parcial da exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa. © CMP



O painel de azulejos, Por minha prima, com moldura original, é uma obra de Jorge Colaço (1868-1942) e foi realizado na Fábrica de Loiça de Sacavém, c. 1916.
Composição de cariz historicista em pintura policroma, com emolduramentos em madeira com ornatos neogóticos, que constituiu presente do pintor Jorge Colaço a uma prima, Jeanne Schmidt Lafourcade Rey Colaço (1858-1957), quando do seu casamento com o médico Leonardo de Sousa de Castro Freire. A noiva era filha do pianista e compositor Alexandre Rey Colaço, irmã da actriz Amélia Rey Colaço e mãe do arquitecto Leonardo Rey Colaço de Castro Freire. O painel representa um cavaleiro cristão, medieval, empenhando uma flor na mão direita e o escudo com a divisa "Por Minha Prima" na mão esquerda. A cena tem por fundo uma paisagem com castelo e uma ponte. Dois pequenos painéis heráldicos referentes aos noivos, com os nomes "Leonardo" e "Jeanne", ladeiam a composição.
Nos azulejos realizados até 1923 na Fábrica de Sacavém, com placas de "pó de pedra", Colaço, pintou sobre o vidrado incolor já cozido, obtendo assim efeitos aguarelados esbatidos, muito característicos da primeira fase da sua produção artística, que divergem da pintura tradicional do azulejo.



Jorge ColaçoPainel, Por minha prima, Fábrica de Loiça de Sacavém, c. 1916. © CMP



Jorge Colaço - Painel, Por minha prima, Fábrica de Loiça de Sacavém, c. 1916, detalhe. © CMP



Júlio A. César da Silva - painel publicitário, Fábrica de Loiça de Sacavém, inícios do século XX. © CMP 


O painel de azulejos Arte Nova, de cariz publicitário, realizado na Fábrica de Loiça de Sacavém, por Júlio A. César da Silva, no primeiro quartel do século XX, realiza uma alegoria à electricidade, representada por uma figura feminina, de pé, assente sobre globo terrestre, empunhado uma lâmpada com a mão direita levantada.
Encontrava-se aplicado na fachada de um estabelecimento comercial de artigos eléctricos, já destruído, na Rua Áurea, em Lisboa, apresentando em cima a legenda do nome da loja: Júlio Gomes Ferreira & Cª.
Este tipo de composições em azulejo foi frequente nos finais da centúria de oitocentos e primeiras décadas do século seguinte, período durante o qual pequenos industriais e comerciantes, através de uma hábil aliança entre a linguagem decorativa e publicitária procuravam atrair clientes aos seus estabelecimentos e transmitir, em simultâneo, uma nota de urbanidade e modernidade. Entre as lojas que então recorreram a este género de painéis (algumas já desaparecidas ou que mudaram de ramo), destacam-se a leitaria A Camponeza, o Animatógrafo do Rossio, a Padaria Inglesa e o Café Royal.



Júlio A. César da Silva - painel publicitário, Fábrica de Loiça de Sacavém, inícios do século XX, detalhe. © CMP



Júlio A. César da Silva - painel publicitário, Fábrica de Loiça de Sacavém, inícios do século XX, detalhe. © CMP



Júlio A. César da Silva - painel publicitário, Fábrica de Loiça de Sacavém, inícios do século XX, detalhe. © CMP



Vista parcial da exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa. © CMP



Conjunto de painéis, realizados na Fábrica de Cerâmica Constância, em 1905, que constituíam parte da decoração exterior da frente do antigo Café Royal, fundado em 1904. As composições figurativas, em azul de cobalto, estão assinadas P. Bonnatove (?) e representam: ambiente interior de café, com personagem sentada a uma mesa; figura feminina, subordinando legenda com anúncio (Água Castelo). As cenas estão envolvidas por cercaduras, relevadas policromas, Arte Nova, da autoria de Viriato Silva, que faziam o contorno dos vãos das portas, integrando vides, parras, cachos de uva, formando nos remates superiores de cada porta, ao centro, uma cabeça feminina.
Este estabelecimento, que se situava na esquina da Praça Duque da Terceira para a Rua do Alecrim, possuía uma das mais belas fachadas de Lisboa, em azulejos daquela corrente estética.



P. Bonnatove e Viriato Silva - painéis da fachada do antigo Café Royal, Fábrica Constância, 1905. © CMP


Composição figurativa, em cores quentes e de expressão sensual, características da estética Arte Nova, representando seis figuras masculinas, com contornos definidos, nuas da cintura para cima, trabalhando numa fundição. A peça estava aplicada no frontão de uma oficina de fundição, destruída, situada na Rua dos Remédios à Lapa, em Lisboa, e fazia par com uma outra, similar do ponto de vista técnico e decorativo, alusiva a uma forja. Este painel foi realizado por José António Jorge Pinto (1875-1945), principal pintor de azulejos Arte Nova, na Fábrica de Campolide, em 1906.



José António Jorge Pinto - painel A Fundição, Fábrica de Campolide, 1906. © CMP


As Arts Déco triunfaram na Europa no final da 1ª Guerra Mundial, em 1918, mantendo-se durante duas décadas e substituindo a liberdade formal da Arte Nova por motivos mais depurados e geometrizados, de excelente design, cuja essência é mais gráfica do que volumétrica. Para além da vasta produção de azulejos aerografados da Fábrica de Loiça de Sacavém, destacaram-se as criações da oficina de azulejos da Fábrica Lusitânia, ao Arco do Cego em Lisboa, dirigida por António Costa, onde o discreto relevo utilizado na separação das cores planas era obtido através de tubagem, como nos exemplares expostos, provenientes da fachada da loja da própria fábrica.



Oficina de António Costa - placa toponímica e painéis da antiga loja da Fábrica Lusitânia, c.1930-39.  © CMP


Silhares de azulejos policromos de estilo Arts Déco, formando composições geometrizantes. Foram decoradas através de tubagem (tubelining), técnica exclusivamente utilizada em Portugal pela Fábrica de Cerâmica Lusitânia, que consistia na aplicação com bisnagas, de barro líquido que caia em fio sobre a chacota, formando desse modo os limites relevados das decorações que eram seguidamente esmaltadas, sugerindo de certa forma as antigas técnicas hispano-mouriscas da aresta.
Estes exemplares, criados na oficina de azulejos dirigida por António Costa naquela unidade fabril, c. 1930-39, constituíam parte da ornamentação da fachada da loja da Fábrica Lusitânia, na Rua do Arco do Cego, Lisboa, servindo de suporte informativo ao tipo de materiais ali comercializados. O primeiro integra a legenda GRÉS/ REFRATÁRIOS, enquanto o outro, fazia a separação entre os artigos publicitados. Foram recolhidos pelo Museu da Cidade, em 1988, aquando da demolição da fábrica.


Oficina de António Costa - painel da fachada da antiga loja da Fábrica Lusitânia, c.1930-39.  © CMP



Oficina de António Costa - painel da fachada da antiga loja da Fábrica Lusitânia, c.1930-39.  © CMP



Oficina de António Costa - painel da fachada da antiga loja da Fábrica Lusitânia, detalhe, c.1930-39.  © CMP



Oficina de António Costa - painel da fachada da antiga loja da Fábrica Lusitânia, detalhe, c.1930-39.  © CMP



Fred Kradolfer (1903-1968) foi precursor em Portugal do design gráfico, tendo a sua actividade estendida desde as artes gráficas ao vitral, à cerâmica e à publicidade. 
Kradolfer é o autor do revestimento azulejar da Confeitaria de Santos, executado na Fábrica de Sant'Anna, Lisboa, e meados do século XX. Composição de feição bastante gráfica, organizadas de modo seriado, alternando três azulejos diferentes: um com uma barca e os corvos (Armas de Lisboa) sobre um fundo de linhas paralelas, simulando ondas; outro, só a repetir essas linhas; e o restante, com simplificadas volutas, enquadrando traços arqueados, dispostos na vertical e que intercalam silhuetas de aves. Os dois exemplares, ambos em verde e vermelho, mas com as cores trocadas entre si, encontravam-se a revestir uma confeitaria na zona de Santos-o-Velho.




Fred Kradolfer - azulejos da antiga Confeitaria de Santos, Fábrica de Sant'Anna, meados do Séc. XX. © CMP 



Fred Kradolfer - azulejos da antiga Confeitaria de Santos, Fábrica de Sant'Anna, meados do Séc. XX. © CMP 



Fred Kradolfer - azulejos da antiga Confeitaria de Santos, Fábrica de Sant'Anna, meados do Séc. XX. © CMP 



Vista parcial da exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa. © CMP


Continua em: Azulejaria moderna na exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa II



domingo, 16 de outubro de 2011

Vestíbulo de edifício na Av. Óscar Monteiro Torres, Lisboa - Lusitânia

O desenho da fachada do edifício nº 40 da Av. Óscar Monteiro Torres, em Lisboa, corresponde a uma tipologia comum a muitos prédios modernistas lisboetas construídos na década de 30. 
Obedecendo a uma composição simétrica, segundo um eixo vertical, onde janelas e varandas participam numa articulação entre saliências e reentrâncias, abdicando de toda a decoração que não seja abstracta e directamente decorrente dos elementos estruturais.
Este tipo de fachadas disseminou-se pelas novas ruas e avenidas da cidade, muito pela influência das múltiplas e inventivas propostas de Cassiano Branco (1897-1970), explorando a dinâmica da volumetria, sublinhada por jogos de claro-escuro orientados por composições geométricas de linhas verticais e horizontais. 
Muitos destes edifícios, ironicamente chamados de "risco ao meio", definem uma tipologia que "foi modernista, mas ainda não totalmente moderna", uma vez que, vulgarmente seguem modismos estilísticos de superfície, não chegando a "abandonar a estrutura tradicional urbana de fachada-rua e traseiras-logradouro".

Fachada de edifício na Av. Óscar Monteiro Torres, nº40, Lisboa. © CMP


Detalhe da fachada com revestimento em trencadís. © CMP



Detalhe do revestimento em trencadís. © CMP


Em vários edifícios construídos na década de 30, são aplicados revestimentos exteriores em cerâmica, sobretudo por questões funcionais, como se verifica nos casos do primeiro segmento de construção da Av. da Igreja, em Alvalade, ou no bloco da Casa da Moeda, da autoria de Jorge Segurado (1898-1990).
A fachada do nº 40 da Av. Óscar Monteiro Torres é um caso profundamente original, uma vez que faz uso do trencadís, mosaico cerâmico típico da Catalunha, muito pouco comum na arquitectura Lisboeta.
Trencadís é o termo catalão para designar o mosaico feito de pedaços de azulejo partido, muito usado em revestimentos decorativos pelos arquitectos do chamado Modernismo Catalão, como Antoni Gaudí (1852-1926) e Josep Maria Jujol (1879-1949). 
Ao contrário dos arquitectos citados, que tiram partido da cor e dos padrões fragmentados dos azulejos, aqui optou-se por azulejos de cor lisa, tirando partido apenas da textura.
Todo o edifício obedece a um estudo de cor pormenorizado, que integra a fachada e o vestíbulo, conjugando vários tons de verde água. 
O revestimento cerâmico, sendo monocromático, dá consistência à fachada através de uma tonalidade mais intensa, que sublinha na base a cor tendencialmente neutra do  resto do edifício, protegendo a zona de maior desgaste ao nível da rua, numa perfeita relação entre forma e função.


Santiago Calatrava, Estação do Oriente, Lisboa, 1998. © CMP

Santiago Calatrava, Estação do Oriente, Lisboa, 1998. © CMP

 O uso do trencadís monocromático antecipa uma tendência contemporânea, amplamente divulgada pelo arquitecto Santiago Calatrava (n.1951), que tem utilizado este tipo de revestimento particularmente flexível, para revestir de branco as superfícies curvas que definem o seu vocabulário arquitectónico.


Vestíbulo de edifício na Av. Óscar Monteiro Torres. © CMP


Painel com Lavadeira. © CMP


Vestíbulo de edifício na Av. Óscar Monteiro Torres. © CMP


Vestíbulo de edifício na Av. Óscar Monteiro Torres. © CMP

No interior, o revestimento cerâmico dá o mote a toda a concepção decorativa do vestíbulo, prolongando-se pela escada. 
O lambril de azulejos, encimado por figuras em recorte, foi executado nos Anos 30, na oficina  dirigida por António Costa na Fábrica de Cerâmica Lusitânia.
Uma sucessão de faixas onduladas, esquematizam uma representação aquática sublinhada pela cor, servindo de suporte a dois conjuntos figurativos de tema folclórico, que se complementam: duas Varinas à beira mar e uma Lavadeira à beira rio.
Ambos os painéis são  tratados de forma sintética e com cores planas, imprimindo um forte apelo gráfico à composição, acentuado pelos padrões dos tecidos, quer dos trajes, quer da  trouxa carregada pelo burro.  
A eficiência da linguagem, tipicamente modernista, evitando sugestões de volume, é potenciada pela modelação das copas das árvores, pintadas à pistola.


Painel com Varinas. © CMP


Detalhe do painel com Varinas. © CMP


Detalhe do painel com Varinas. © CMP

Detalhe do painel com Varinas. © CMP

Detalhe do painel com Varinas. © CMP


Detalhe do painel com Varinas. © CMP

Detalhe do painel com Varinas. © CMP

Detalhe do painel com Varinas. © CMP


Detalhe do recorte do painel com Varinas. © CMP


Painel com Lavadeira. © CMP

Detalhe do painel com Lavadeira. © CMP

Detalhe das copas das árvores pintadas à pistola. © CMP

Detalhe do painel com Lavadeira. © CMP


Detalhe do painel com Lavadeira. © CMP


O lambril prolonga-se por toda a caixa de escada, animando um espaço exíguo, com uma dinâmica sublinhada pela iluminação zenital.
As linhas curvas do gradeamento e do corrimão articulam-se com as horizontais ondulantes do revestimento cerâmico promovendo a ilusão de movimento.


Detalhe das faixas onduladas horizontais. © CMP


Detalhe da articulação entre as faixas onduladas horizontais. © CMP

Segmento do lambril na escada.  © CMP

Segmento do lambril num dos patamares. © CMP

Segmento do lambril na base da caixa de escada. © CMP

Vista parcial. Publicada em Arquitectura Modernista em Portugal de José Manuel Fernandes, Gradiva, 2005.

Na imagem acima reproduzida, captada no final da década de 70, pode ver-se ainda o esquema  cromático original, estando o tecto pintado a duas cores sobre os relevos de estuque que seguem o motivo aquático do lambril. 
Bem como os vasos, hoje desaparecidos, provavelmente também da Fábrica de Cerâmica Lusitânia, com o mesmo motivo e combinação de cores do revestimento das paredes. 
A falta de rigor na conservação das partes comuns dos prédios de habitação, é um flagelo que afecta em especial os edifícios que melhor evidenciam o investimento feito na sua concepção.
No edifício aqui tratado, o desenho é de tal forma abrangente e completo que parece não deixar de fora nenhum pormenor e qualquer detalhe pode fazer a diferença.
Assim sendo, torna-se particularmente penoso assistir às intervenções e remodelações levadas a cabo pelos proprietários, muitas vezes pelas mãos de profissionais pouco criteriosos, como  pode observar-se na imagem abaixo, onde uma tubagem externa foi aplicada sobre a parede sem nenhum tipo de consideração pelas qualidades do espaço intervencionado.


Segmento do lambril na escada.  © CMP


Acesso à caixa de escada. © CMP

Neste vestíbulo onde todos os elementos decorativos são interdependentes, a composição  é completada pelo globo do candeeiro de tecto e pelos frisos em azulejo no topo das paredes que enquadram frases de boas-vindas, sobre o acesso à escada, e de despedida, sobre a porta da rua. 
A coesão é reforçada pelo chão em calçada portuguesa, onde figura o mesmo grafismo de linhas onduladas e ainda pelo desenho da porta, que parece dar seguimento aos elementos gráficos do lambril.


Frase de boas-vindas, legível para quem entra. © CMP


Porta da rua vista do interior. © CMP


Frase de despedida, legível para quem sai. © CMP

A Fábrica de Cerâmica Lusitânia (fundada em 1890 e encerrada  em 1982) produziu  azulejos de cores planas, monocromáticos ou com composições geométricas simples, utilizados para revestir vestíbulos de prédios, habitações, salas de espera e fachadas de algumas estações de caminho-de-ferro.
Durante os Anos 20 o pintor António Costa, introduz a  produção de azulejos com decoração relevada, que na década de 30 se irão distinguir no mercado nacional,  definindo a imagem da fábrica, tanto pelos  motivos geométricos, como pela figuração de traçado modernista e Art Déco.
Nestes azulejos o desenho rigoroso é acentuado pela linha de contorno, definida pelo relevo típico da técnica da tubagem.
Delicado e pouco protuberante, fazendo lembrar o azulejo de aresta hispano-mourisco, este relevo não era obtido através de molde, mas realizado com barro líquido, aplicado em fio sobre placas lisas, usando bisnagas ou tubos, dando assim origem à designação de tubagem.
Esta técnica foi importada de Inglaterra (tubelining decoration), onde foi muito usada tanto em azulejos dos períodos vitoriano e modernista, como em cerâmica decorativa.
Em Portugal a técnica já tinha sido utilizada em alguma produção Arte Nova, tendo-se afirmado  e desenvolvido apenas na Fábrica Lusitânia, onde foi entendida como um dos melhores suportes para a depuração geometrizante e planimétrica modernista, delimitando depressões preenchidas por vidrados coloridos e esmaltes policromos.


Detalhe onde pode observar-se o relevo típico da técnica da tubagem. © CMP


Detalhe onde pode observar-se o relevo típico da técnica da tubagem. © CMP

Detalhe onde pode observar-se o relevo típico da técnica da tubagem. © CMP