Mostrar mensagens com a etiqueta Cafeteira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cafeteira. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Prato coberto - SECLA

Dando continuação às publicações anteriores referentes a peças utilitárias produzidas pela SECLA na década de 50, publicamos agora um prato coberto, de dimensões médias, decorado com o mesmo padrão de riscas verticais a preto sobre fundo branco, com apontamentos em amarelo vivo.
Este prato é um bom exemplo das transformações operadas na produção de louça doméstica no pós-Guerra, flexibilizando a oferta de modo ir de encontro às expectativas de um público mais jovem.
Começam a vender-se separadamente peças decoradas com o mesmo padrão ou em cores lisas, como já anteriormente havíamos referido, podendo ser combinadas segundo o gosto e as necessidades de cada consumidor. Em vez dos tradicionais serviços completos, cada peça poderia ser comprada individualmente, em momentos diferentes, respeitando o orçamento das jovens famílias.

Outras peças com o mesmo motivo decorativo:
Saleiros e Pimenteiros - SECLA
Serviço de café - SECLA
Galheteiros - SECLA 
Saleiros e Pimenteiros - SECLA 
Caixas - SECLA 



SECLA - prato coberto, Anos 50. © CMP

Altura total c.12 cm.


SECLA - prato coberto, Anos 50. © CMP

Diâmetro do prato 20 cm.


SECLA - prato coberto, Anos 50. © CMP


SECLA - prato coberto, Anos 50. © CMP


SECLA - marca de fábrica. © CMP



O motivo decorativo composto por riscas verticais a preto sobre fundo branco é retomado de forma livre após a Segunda Guerra Mundial, dando também origem aos chamados padrões Zebra que, a par com outros padrões animais, se tornam grande moda na década de 50.
As listas tirando partido de contrastes marcados, são parte essencial de uma gramática decorativa de inspiração africana, na sua maioria tendo por base as estampagens têxteis e as peles de animais exóticos usadas no vestuário.
Alguns dos exemplares mais significativos desta tendência foram concebidos por Maria Kohler (1923-?), designer na Villeroy & Boch entre 1949 e 1965. A jarra abaixo reproduzida, cuja forma e padrão são da autoria de Kohler, mede c.13 cm de altura e faz parte de uma série composta por peças de formatos variados, exibindo a decoração Lilo. Vigorosas riscas verticais, traçadas livremente, constituíram uma referência para muitas outras fábricas, tanto na Alemanha como internacionalmente.



Villeroy & Boch - jarra modelo 4252, Maria Kohler, Anos 50. LiveAuc


Também em Itália muitas das peças de baixo custo, destinadas à exportação ou ao comércio turístico, tiveram como motivo decorativo os traçados verticais a negro, combinados com cores primárias e branco. 
Estas peças, de formas escultóricas surpreendentes, normalmente biomórficas, são provavelmente provenientes de várias manufacturas, apresentado apenas a marca "Italy", acompanhada de uma numeração referente ao modelo. 
A jarra abaixo reproduzida, mede c.23 cm de altura e a sua forma evoca a configuração de uma ave, sendo comum aparecerem com o mesmo padrão jarros e vasos tubulares com formas ondulantes que, embora pouco ou nada funcionais, se assumiam como elementos centrais na decoração dos interiores da época.



Jarra biomórfica italiana, Anos 50. eBay



Jarra biomórfica italiana - marca de fabrico. eBay



Os padrões de riscas interrompidas tipo Zebra, vão multiplicar-se em toda a produção de louça doméstica ou decorativa, regra geral combinando o preto e branco do exterior com esmaltes de cores luminosas no interior, sobretudo amarelos ou vermelhos vivos.
No Reino Unido, a designer Jessie Tait (1928-2010) utiliza profusamente as linhas verticais como motivo decorativo, bem visíveis no trabalho que desenvolve ao longo de várias décadas na Midwinter Pottery, fundada em 1910, em Burslem, Stoke-on-Trent.



Midwinter - jarras, Jessie Tait, c.1956-60. Flickr


A imagem acima reproduz várias jarra desenhadas por Jessie Tait para a Midwinter, decoradas com variações de padrões de riscas verticais usando a técnica da tubagem (tubelininig).
A mais alta, atrás, é decorada com o padrão Stubble; a da esquerda com o padrão Music Score; as duas da direita com o padrão Bands and Dots e a da frente à esquerda com o padrão Tonga (c.1956-60).

O padrão Zambesi foi criado por Tait em 1956 para a Fashion Shape, formato que começou a ser produzido em 1955, como parte da linha de louça utilitária Stylecraft lançada pela Midwinter em 1953, para concorrer directamente com as peças de fabrico americano, mais apelativas pela sua concepção moderna.



Midwinter - peças de serviço de jantar Fashion Shape com padrão Zambesi, 1956. StaceyAuc.


Midwinter - cafeteira Fashion Shape com padrão Zambesi, 1956. eBay



Midwinter - marca de fábrica da cafeteira Fashion Shape. eBay


Ainda na década de 50, a Beswick, companhia situada em Longton, Staffordshire, lançou uma linha de louça decorativa explorando formas assimétricas e exuberantes, desenhadas por Arthur Hallam (c.1912-1976). 
Estas peças eram decoradas com listas interrompidas, pretas e brancas, um padrão da autoria de Jim Hayward (1910-?), responsável pelo departamento de decoração da empresa desde 1934.
O chamado Zebra-striped Ware, catapultou a Beswick para a linha da frente da criação de tendências nos Anos 50, levando a marca a recuperar a relevância que havia tido no mercado britânico durante as décadas anteriores à Guerra, após John Beswick ter assumido, em 1921, a gestão da antiga empresa de família, fundada em 1892.



Beswick - Zebra-striped Ware, jarra modelo 1367. © CMP


Beswick - Zebra-striped Ware, marca de fábrica da jarra modelo 1367. © CMP



O Zebra-striped Ware foi o mais popular dos padrões inspirados pelo Zambesi de Jessie Tait para a Midwinter. 
No entanto muitas outras fábricas produziram peças com formas e decorações semelhantes. Exemplos disso são a linha Zebrette,  da Sandland Ware, lançada pela Lancaster and Sandland Ltd., as peças utilitárias Kelsboro Ware ou as peças com formas biomórficas produzidas em menor quantidade pela Arthur Wood.


Grã-Bretanha -  peças de várias fábricas. Flickr


Na imagem acima figuram algumas exemplares da década de 50, de origem britânica: na fila de trás duas chávenas e pratos Kelsboro Ware; do lado esquerdo uma travessa Fashion Shape com o padrão Zambesi da Midwinter; do lado direito uma floreira Beswick e à frente um prato em forma de peixe com o padrão Zebrette, Sandland Ware.



sábado, 3 de novembro de 2012

Serviço de café - SECLA

Continuamos a publicação de peças de uso doméstico da SECLA, decoradas com  padrão de riscas verticais a preto sobre fundo branco, com interiores esmaltados a amarelo vivo.

Outras peças com o mesmo motivo decorativo:
Saleiros e Pimenteiros - SECLA
Prato coberto - SECLA
Galheteiros - SECLA  
Saleiros e Pimenteiros - SECLA
Caixas - SECLA 


Desta vez com um serviço de café em faiança cuja autoria do formato será provavelmente de Alberto Pinto Ribeiro (1921-1989) ou de Fernando da Ponte e Sousa (1902-1990).
CMP agradece qualquer informação sobre a autoria do formato ou do padrão.
O serviço é composto por uma cafeteira, um açucareiro, uma leiteira e seis chávenas (embora nas imagens abaixo só figurem cinco).


SECLA - serviço de café, Anos 50. © CMP



SECLA - serviço de café, Anos 50. © CMP


SECLA - serviço de café, Anos 50. © CMP



A cafeteira mede c.20 cm de altura.


SECLA - cafeteira, Anos 50. © CMP

SECLA - cafeteira, Anos 50. © CMP
SECLA - cafeteira, Anos 50. © CMP




SECLA - cafeteira, detalhe. © CMP



SECLA - cafeteira, marca de fábrica. © CMP


O açucareiro mede 10 cm de altura.


SECLA - açucareiro, Anos 50. © CMP
SECLA - açucareiro, Anos 50. © CMP


A leiteira mede 7,5 cm de altura.


SECLA - leiteira, Anos 50. © CMP
SECLA - leiteira, Anos 50. © CMP


A chávena mede 5,5 cm de altura.


SECLA - chávena e pires, Anos 50. © CMP
SECLA - chávena e pires, Anos 50. © CMP


 O pires mede 12,5 cm de diâmetro.


SECLA - pires, Anos 50. © CMP


Este serviço está apenas marcado PORTUGAL, colocando a sua datação provável no início da década de 50, uma vez que não utiliza nem o carimbo nem o punção SECLA.


SECLA - chávena e pires, marcas de fábrica. © CMP






sexta-feira, 15 de julho de 2011

Serviço de café "Apollo XII" - SECLA

Durante a década de 1960 a inovação no design de cerâmica na região de Staffordshire, na Grã-Bretanha, foi liderada pela Portmeirion. A companhia foi fundada por Susan Williams-Ellis (1918-2007), filha de Sir Clogh Williams-Ellis (fundador e arquitecto da pequena povoação estival de Portmeirion, no País de Gales) conjuntamente com o seu marido Euan Cooper-Willis. 
A firma foi criada em 1960, a partir de uma fusão de antigas fábricas já existentes na região, iniciando a sua actividade comercial como Portmeirion em 1962. 
Desde logo se afirma pelo desenho de peças que seguem o dinamismo cultural dos Anos 60 em Inglaterra, com Carnaby Street e King’s Road, em Londres, emergindo como centros internacionais da moda e cultura juvenil.


Portmeirion - Serviço de café na forma Cylinder com o padrão Totem (1963).
Portmeirion - Marca de fábrica do padrão Totem.

A forma tubular e longilínea do modelo Cylider, iniciado em 1962, é ainda hoje uma das que melhor identifica a década. Neste modelo, a geometria é levada ao extremo, desafiando os princípios do “bom design” estabelecidos pelo Council of Industrial Design (COID), que após a Segunda Grande Guerra regulamentou a qualidade do desenho da produção industrial na Grã-Bretanha, fomentando os princípios modernistas da relação forma-função e do respeito pelas qualidades intrínsecas dos materiais. 


Portmeirion - Cafeteira com padrão Totem. flickr.com
Portmeirion - Marca de fábrica do padrão Totem.
 
Apesar de aparentemente pouco funcional, o modelo Cylinder rapidamente se tornou um sucesso comercial, sendo produzido ao longo de toda a década com várias decorações diferentes. A primeira e que maior sucesso teve, foi a Totem, introduzida em 1963, combinando motivos estilizados em relevo, vagamente inspirados em signos primitivos, com vidrados suficientemente transparentes para porem em evidência as formas, sublinhando-as. 


Portmeirion - Queijeira, padrão Totem. replaceyourchina

Pelas mãos de Susan Williams-Ellis, a Portmeirion, criou um conjunto de peças icónicas da década de 60, originando um enorme conjunto de seguidores, entre fábricas inglesas e internacionais. 


Lord Nelson Pottery - Serviço de café inspirado no padrão Totem da Portmeirion. ebay
Lord Nelson Pottery - Cafeteira e açucareiro inspirados no padrão Totem da Portmeirion. ebay
Lord Nelson Pottery - Marca de fábrica. ebay

A SECLA estará entre as fábricas a desenvolver uma série de padrões em relevo, revestidos com esmaltes monocromáticos transparentes, destinados ao mercado anglo-saxónico que acabarão por definir a sua imagem, tanto no contexto nacional como internacional. 




SECLA - Serviço de café modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP

SECLA - Serviço de café modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP





Um dos padrões produzidos pela fábrica das Caldas da Rainha simplifica o elemento fundamental do padrão Totem, da Portmeirion, um signo em forma de asterisco, integrante típico das gramáticas decorativas da Era Atómica, abundantemente usado na padronagem têxtil e nas artes gráficas.


Asterisco na tampa da cafeteira SECLA e no corpo da cafeteira Portmeirion. © CMP

Este padrão, concebido em 1969-70, a partir de uma ideia de Alberto Pinto Ribeiro (1921-1989), fundador da SECLA, toma o nome de Apollo XII, a segunda missão lunar do programa Apollo da NASA (National Aeronautics and Space Administration), no auge da escalada dos projectos espaciais, impulsionada pela Guerra Fria.




SECLA - Cafeteira, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP


SECLA - Tampa da cafeteira, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP






SECLA - Cafeteira P.2482, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP



SECLA - Leiteira, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP



SECLA - Leiteira P.2485, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP


As formas do serviço Apollo 12 são mais funcionais do que as dos serviços da linha Cylinder. Menos estilizado, o desenho da asa e do bico do bule, demonstra maiores preocupações ergonómicas e de eficiência. Também a sua altura é menor, promovendo uma maior estabilidade, já que os bules da linha Cylinder se desequilibram com muita facilidade.


SECLA - Açucareiro, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP

SECLA - Pote para mel e açucareiro, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP




SECLA - Pote para mel e açucareiro, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP




SECLA - Tampa do açucareiro modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP

SECLA - Tampa do pote para mel, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP

O pote para mel não pertence ao serviço, era vendido separadamente, ainda que o modelo seja exactamente o mesmo do açucareiro, só mudando a tampa. No pote a tampa é adornada com uma abelha, o que caracteriza a maior parte dos potes para mel produzidos pela SECLA.

Para este serviço foram produzidos dois tipos de chávenas, umas mais altas, com pires de maior diâmetro e outras mais baixas. Desconhece-se a razão da existência destes dois modelos de chávena, é no entanto provável que o de formato maior se destinasse ao mercado inglês e o menor ao mercado nacional, tendo sido produzido posteriormente.
O padrão Apollo XII foi também aplicado em serviços de chá, canecas e outros objectos que mostraremos noutras publicações.




SECLA - Chávena P.2490, modelo Apollo XII, c.1969-70. © CMP




SECLA - Chávenas P.2496, modelo Apollo XII, c.1969-70.  © Joel Paiva



SECLA - Chávena P.2496, modelo Apollo XII, c.1969-70.  © Joel Paiva



SECLA - Pires, modelo Apollo XII, c.1969-70.  © Joel Paiva



Identificação dos modelos:

  • Cafeteira - P.2482 - 22 cm de altura
  • Leiteira - P.2485 - 10 cm de altura
  • Chávena de café (alta) - P.2490 - Ø 6,5 cm x 9 cm de altura
  • Chávena de café (baixa) - P.2496 - Ø 6,5 cm x 5,5 cm de altura
  • Pires maior - Ø 12,5cm 
  • Pires menor - Ø 11,7cm

SECLA - Marca de fábrica. © CMP



Tal como outras peças produzidas pela SECLA neste período, estes modelos foram fabricados com vidrados de várias cores, abaixo podem ver-se duas tonalidades diferentes de verde.



SECLA - Pote para mel, modelo Apollo XII, c.1969-70.



SECLA - Serviço de café modelo Apollo XII, c.1969-70. © Memórias da Secla





CMP* agradece aos coleccionadores Joel Paiva e Cristina Martins, autora da página Memórias da Secla, a cedências de imagens de peças das suas colecções.