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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Jarro e caixas - Raul da Bernarda

A fábrica Raul da Bernarda, em Alcobaça, diversificou a sua produção após a Segunda Guerra Mundial, absorvendo tendências internacionais que lhe permitiram fazer face ao mercado externo.
A nova produção combina peças decorativas e utilitárias de traço neo-rococó, ao gosto francês, com peças de cariz moderno, em menor número, baseadas sobretudo na produção italiana e alemã.
Exemplo desta última tendência é o jarro que podemos observar abaixo, em faiança vidrada a branco, com apontamentos a dourado. Tem o bojo em forma de tronco de cone invertido, revestido com um padrão colorido em decalcomania.  



Raul da Bernarda - Jarro, Anos 60. © CMP


Raul da Bernarda - Jarro, Anos 60. © CMP


Raul da Bernarda - Jarro, Anos 60. © CMP


Raul da Bernarda - Jarro, detalhe. © CMP


Raul da Bernarda - Jarro, detalhe. © CMP


Raul da Bernarda - Jarro, marca de fábrica. © CMP


Este jarro mede 22 cm de altura e está marcado "RB ALCOBAÇA MADE IN PORTUGAL", o que  indica ser uma peça para exportação. O número 573, diz respeito ao modelo, aparecendo em peças de formato semelhante mas com outros motivos decorativos.
O mesmo padrão foi também usado em caixas de formato cilíndrico. No primeiro caso, com 16,5 cm de altura, a tampa e a base são decoradas com um friso composto por estrias verticais a dourado. No segundo caso, de tamanho um pouco maior, o friso da tampa é a cheio contrastando com o da base, estriado.



Raul da Bernarda - Caixa, Anos 60. MdS Leilões



Raul da Bernarda - Caixa, Anos 60. © CMP


O padrão aplicado nestas peças parece ter sido directamente influenciado por um outro desenvolvido pela fábrica alemã Goebel, cerca de 1963. O que leva a crer que a produção da Raul da Bernarda será da segunda metade da década de 60, prolongando-se, provavelmente até inícios de 70.



Goebel - base de espremedor de citrinos, 1963. Flickr



Goebel - marca de fábrica entre 1964 e 1972. eBay



Goebel - Caixa, saleiro e pimenteiro, 1963. eBay



Goebel - Saleiro e pimenteiro, detalhe. Flickr


Publicidade - Pottery Gazette, Novembro, 1963. © CMP


Estes padrões, devem a sua concepção e modo de aplicação aos padrões têxteis, o desenho é aplicado sobre a peça, preenchendo uma determinada superfície, como se esta fosse revestida por um tecido cortado à medida, sendo o padrão cortado em função do formato da peça, o que tradicionalmente não acontecia, já que o desenho dos motivos decorativos se adaptava ao espaço a ele destinado.
Neste caso, o padrão de forte apelo gráfico, é composto por elementos relacionados com alimentação, (frutas, utensílios de cozinha, garrafas, etc.) tratados de forma sintética, fazendo uso de espessas linhas de contorno a negro, combinadas com cores planas, primárias e secundárias, recuperando soluções gráficas, experimentadas na primeira metade do século. 



Goebel - Conjunto de caixas, 1963. Flickr



Goebel - Conjunto com saleiro e pimenteiro, 1963. eBay


Segundo a mesma lógica e usando a técnica da decalcomania, muitos outros padrões ou motivos decorativos isolados, foram profusamente utilizados em peças de produção corrente.
Os casos mais vulgares nas peças produzidas pela Raul da Bernarda e outras fábricas de Alcobaça, ainda durante a década de 70, é a aplicação de padrões Chintz e Paisley.
Estes padrões têxteis de origem indiana, difundidos na Europa a partir do século XVII, são retomados nos Anos 60, numa perspectiva de revivalismo Pop. São revistos, simplificados e aplicados em tecidos, plásticos, esmaltes e louça decorativa e utilitária.




Padrões Chintz e Paisley aplicados em louça utilitária. © CMP



A decalcomania estende-se ainda aos temas vindos da história da arte, explorando motivos Clássicos, Barrocos ou Rococó.
Assim, podemos encontrar o modelo de jarro 573, decorado com outros motivos. Entre os mais comuns e largamente difundidos, já que também foram aplicados em peças da mesma época, de gosto neo-rococó, estão as obras do pintor espanhol do século XVII, Bartolomé Murillo (1617-1682). 
Conhecido pelas suas obras religiosas, este artista ficou para sempre associado às representações do quotidiano dos mais desfavorecidos, em especial crianças pedintes, no seguimento do movimento contra-reformista.
Estas imagens, retiradas do contexto da época, foram largamente reproduzidas e estampadas em objectos de grande consumo, transformando-se em ícones kitsch.



Raul da Bernarda - Jarro, Anos 60 a 70. Leilões.net



Bartolomé Murillo - "Rapazes jogando dados", 1675. 


Raul da Bernarda - Jarro, marca de fábrica. Leilões.net




sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Caixas - SECLA

Concluímos por ora a série de publicações sobre louça utilitária da SECLA, produzida na década de 50, explorando o motivo decorativo de riscas verticais a negro sobre esmalte branco, com detalhes a amarelo vivo.
As duas caixas que agora publicamos utilizam uma variante do mesmo padrão, em que as faixas a negro, mais largas, são interceptadas por uma barra perpendicular composta por três linhas de diferentes espessuras.


Outras peças com o mesmo motivo decorativo:
Saleiros e Pimenteiros - SECLA
Serviço de café - SECLA
Prato coberto - SECLA
Galheteiros - SECLA  
Saleiros e Pimenteiros - SECLA


Caixa cilíndrica esmaltada a amarelo, com o interior branco, mede c.16 cm de altura por c.10 cm de diâmetro. Neste caso a decoração está apenas concentrada na tampa, permitindo dar maior ênfase ao formato.


SECLA - Caixa, Anos 50. © CMP



SECLA - Caixa, Anos 50. © CMP



SECLA - Caixa, Anos 50, detalhe. © CMP


Mais um caso em que a marcação é apenas "FOREIGN", sinal de que se destinava ao mercado britânico  após a II Grande Guerra.



SECLA - Caixa, marca. © CMP


Durante a década de 60, foi produzido o mesmo formato de caixa, explorando o relevo da superfície.
É nesta década que as peças relevadas, revestidas com esmaltes brilhantes de cores profundas, se tornam a imagem de marca da produção corrente da SECLA.
Estes revestimentos tiram partido das superfícies texturadas através do uso de vidrados transparentes monocromáticos, sublinhando o relevo.
A caixa abaixo reproduzida é em tudo semelhante à anterior, à excepção da superfície relevada.

SECLA - Caixa, Anos 60. Etsy

SECLA - Caixa, Anos 60. Etsy



SECLA - Caixa, marca de fábrica. Etsy




Outro exemplar com o mesmo motivo decorativo é a caixa rectangular com arestas boleadas, reproduzida abaixo. 
Mede c.6 cm de altura e c.15 cm de comprimento por c.8,5 cm de largura.  
Um circulo amarelo vivo no topo da pega da tampa, repete a cor do esmalte interior.


SECLA - Caixa, Anos 50. eBay



SECLA - Caixa, detalhe. eBay





sábado, 10 de março de 2012

Caixa e Jarra - Aleluia

No seguimento da publicação feita pelo blogue Moderna uma outra nem tanto, com o título Caixa anos 50 - Aleluia-Aveiro, acrescentamos alguns elementos relativos às caixas com o mesmo formato produzidas pela fábrica Aleluia, Aveiro, nas décadas de 50 e 60.
Abaixo reproduzido está o corpo da caixa 857-F, à qual falta a tampa. 
Esta peça, cuja superfície é decorada com ogivas relevadas, é revestida com um vidrado creme, leitoso, ligeiramente craquelé e elementos gráficos a negro e laranja, sublinhados por filetes dourados.


Aleluia - corpo da caixa 857-F, Anos 50. © CMP

A este corpo, com c.14,8 cm de altura por 17,5 cm de diâmetro na boca, corresponde uma tampa com o formato semelhante ao da que reproduzimos a baixo, ainda que com uma decoração inteiramente diferente. A tampa mede c. 10,2 cm de altura e é decorada com filetes dourados, sendo pontuada a negro no topo.


Aleluia - tampa da caixa 090(?), c,1955-60. © AM-JMV

Aleluia - caixa 857-F, Anos 50. © AM-JMV


Aleluia - caixa 857-F, detalhe, Anos 50. © CMP




Aleluia - caixa 857-F, marca de fábrica. © CMP


Como é habitual a marca de fábrica aparece carimbada, acompanhada do número relativo ao modelo, bem como a letra equivalente à decoração e, neste caso, um pequeno "T" correspondente ao pintor responsável pela sua execução.



Esta decoração, a que faremos referência noutras publicações, é aplicada numa linha de peças de variados formatos.
Aqui fica a jarra 865-A, apresentando os mesmos elementos decorativos nas mesmas cores.


Aleluia - jarra 865-A. ©HPS

Aleluia - jarra 865-A. © AM-JMV



Aleluia - jarra 865-A, detalhe. © AM-JMV





Aleluia - jarra 865-A, marca de fábrica. © AM-JMV


Na última imagem, onde se pode ver a marca de fábrica, pode também observar-se uma marcação no frete, neste caso a letra "N". 
Estas marcações no frete são muito vulgares nas peças de fabrico Aleluia, ficando ainda por desvendar qual a sua função e significado no processo de produção.


CMP* agradece aos vários coleccionadores, em especial aos autores do blogue Moderna uma outra nem tanto, a cedência de imagens de peças das suas colecções, bem como todas as informações e esclarecimentos prestados.




sábado, 22 de outubro de 2011

Floreiras - Raul da Bernarda

A fábrica Raul da Bernarda em Alcobaça, produziu nas décadas de 50 e 60, um conjunto de peças biomórficas em cores primárias e secundárias.
As floreiras gomadas abaixo reproduzidas fazem parte de um vasto conjunto de peças que incluía castiçais, jarras, pratos e caixas.
Estas peças são pintadas a aerógrafo, de modo a acentuar a modelação das superfícies através de sombreados, vivendo sobretudo dos jogos entre saliências e reentrâncias, sublinhados pelo claro-escuro.
Embora as formas possam evocar elementos decorativos do Barroco ou do Rococó, as decorações encontram-se entre as mais sintéticas produzidas pela RB nestas décadas, trabalhando apenas a cor e a sua modelação.


Floreira de parede, modelo 1184, com 18 cm de largura e 17,5 cm de altura:



Raul da Bernarda - floreira de parede, modelo 1184. © CMP


Raul da Bernarda - floreira de parede, modelo 1184. © CMP


Marca de fábrica - "RB ALCOBAÇA PORTUGAL 1184". © CMP


Marca de fábrica - RB ALCOBAÇA PORTUGAL 1184. © CMP


A grande maioria destas peças, vulgarmente chamadas Arco-íris, são de inspiração italiana, tanto nas formas como na decoração. O que acontece também com outras linhas produzidas pela Raul da Bernarda nas décadas de 50 e 60.

Floreira modelo 1170, com 20 cm de altura e 33 cm de largura:



Raul da Bernarda - floreira, modelo 1170. © CMP


Raul da Bernarda - floreira, modelo 1170. © CMP


Raul da Bernarda - floreira, modelo 1170. © CMP


Raul da Bernarda - floreira, modelo 1170. © CMP


Raul da Bernarda - floreira, modelo 1170. © CMP



Marca de fábrica - RB ALCOBAÇA PORTUGAL 1170. © CMP



Raul da Bernarda - jarra 25 cm de altura. © CMP


Durante a década de 60, muitos destes modelos foram produzidos  com decorações a dourado, consubstanciando um problema visível em muitas peças RB desta época: as formas são orgânicas e assimétricas, de cariz modernista, no entanto as decorações são muitas vezes de gosto Rococó, utilizando filetes dourados, arabescos, elementos florais e paisagísticos.
Nos exemplares abaixo reproduzidos, podemos observar a combinação entre cores saturadas e o padrão Chintz estampado a ouro. 
Este padrão tornou-se muito comum na produção da década de 60 por influência do gosto britânico, materializando uma contradição entre forma e elementos decorativos, também observável em muita da produção internacional.


Raul da Bernarda - floreira, modelo 1170. Leilões.net

Raul da Bernarda - caixa modelo 1196, 17 cm de altura. © CMP

Seguindo um critério semelhante, o prato abaixo reproduzido combina uma paisagem naturalista, ao centro, com a alternância entre cores vivas e preto tão característica da década de 50, na cercadura.
Este género de paisagem estereotipada aparece abundantemente em peças produzidas em série, ainda que pintadas à mão, nas fábricas da região de Alcobaça, como a ELPA (Elias & Paiva Lda.),  ou a Pereiras de Valado dos Frades, para além da Raul da Bernarda.


Raul da Bernarda - prato 850 com paisagem. © CMP

Paisagens pitorescas semelhantes povoam a produção alemã (especialmente da Baviera) e holandesa do mesmo período.
Pode, portanto, concluir-se que não revelam nenhuma tendência nacionalista, uma vez que não possuem elementos tipicamente portugueses, mas apenas a correspondência ao gosto dominante, servindo dos mercados internacionais.
No prato abaixo reproduzido, tenta-se uma solução de maior síntese, a três faixas horizontais em cores primárias (azul, amarelo e magenta) sobrepõe-se uma paisagem desenhada a pincel, apenas a negro, com maior rapidez de traço, de modo a esbater o carácter estilístico estereotipado. 


Raul da Bernarda - prato 850 com paisagem. © CMP

Raul da Bernarda - prato 850 com paisagem. © CMP

Prato 850 - marca de fábrica. © CMP


As formas biomórficas, ao gosto moderno, como a pequena jarra bulbosa abaixo reproduzida, eram produzidas com variados tipos de decoração.
No primeiro caso as cores saturadas pintadas a aerógrafo são combinadas com um filete dourado, no segundo caso, mais conservador, a monocromia lilás é combinada com o mesmo filete dourado e no terceiro caso é usada uma decoração regionalista, típica da zona de Alcobaça.





Raul da Bernarda - jarra 796, 11,43 cm de altura e 12,7 cm de diâmetro. © CMP




Raul da Bernarda - jarra 714 B, 11,43 cm de altura e 12,7 cm de diâmetro. © MAFLS


Marca de fabrico - R.B. Alcobaça Portugal 714 B. © MAFLS



Raul da Bernarda - jarra 706, 11,43 cm de altura e 12,7 cm de diâmetro. ebay


Marca de fabrico - R.B. Made in Portugal 706. ebay