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domingo, 8 de abril de 2018

Cabeleireiro Alfredo & Biquette | Tom


Com o recente encerramento do cabeleireiro Alfredo & Biquette, situado na Rua Garret, ao Chiado, Lisboa, é praticamente apagada do coração da cidade uma época de ouro do design de interiores, preconizada por este tipo de estabelecimentos comerciais, nos anos após a II Guerra Mundial.
Acompanhámos o fecho e desmontagem dos interiores deste cabeleireiro que, apesar de ter sofrido algumas remodelações ao longo dos tempos, conservava ainda a arquitectura e muitos dos objectos originais criados especialmente para o local, conferindo-lhe uma identidade própria, desde 1957, data da sua inauguração. 


Tom - Máscara/candeeiro, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018. 


Tom - Máscara/candeeiro, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018. 


Considerado um dos mais elegantes salões de cabeleireiro da capital, inicialmente denominado Salão Alfredo & Andrade, teve concepção de interiores da autoria de Tom, Thomaz de Mello (1906-1990), uma escolha que equivalia a uma afirmação de modernidade.
Este artista multifacetado foi um dos mais activos, desde o final da década de 1920, no desenho expositivo e de dispositivos de comunicação, tanto ao serviço do estado como de clientes privados.



Tom - Cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957, detalhe do arranjo da fachada. © Espólio Alfredo & Biquette, 1964. 


Tom - Cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957, arranjo da fachada. © Espólio Alfredo & Biquette, 1964. 




Tom, de nacionalidade brasileira, estabeleceu-se em Portugal em 1926, sendo um dos fundadores daquela que é considerada a primeira galeria de arte moderna portuguesa, a UP, criada em 1932, em Lisboa, de parceria com António Júlio de Castro Fernandes (1903-1975) e António Pedro (1909-1966).
Com uma actividade artística variada e prolífica, Tom dedica-se ao desenho e pintura, banda-desenhada, ilustração e caricatura, design gráfico e de equipamentos, criação de objectos decorativos e publicitários, tapeçaria e decoração de interiores, sendo um dos pioneiros do design industrial em Portugal. Integrando nas décadas seguintes as equipas que conceberam as representações portuguesas em exposições e feiras comerciais nacionais e internacionais, desenvolve uma apetência especial para o desenho expositivo, recorrendo a múltiplas técnicas e materiais.
Numa época em que a generalidade do equipamento era criado de raiz para cada espaço, já que a produção nacional era escassa e o mobiliário importado atingia custos incomportáveis, Tom concebeu a generalidade das peças necessárias aos interiores do cabeleireiro Alfredo & Andrade, recorrendo a manufactura portuguesa.
A excepção encontra-se em alguns detalhes decorativos, como por exemplo o puxador de porta nas imagens abaixo, de origem italiana.
Para além de desenhar a imagem corporativa da empresa, Tom utiliza algumas referências da história da arte, de modo a sugerir uma continuidade entre os conceitos passados e presentes da beleza feminina. Assim, na recepção, coloca um relevo policromado sobre madeira, recriação de uma pintura do antigo Egipto, representando os cuidados cosméticos, e por cima do balcão de atendimento uma reprodução do Retrato de Giovanna Tornabuoni, de Domenico Ghirlandaio, arquétipo do belo renascentista. 



Tom - Recepção, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Tom - Recriação de pintura egípcia, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018. 


Domenico Ghirlandaio, Retrato de Giovanna Tornabuoni, 1488.


Cabeleireiro Alfredo & Andrade, porta entre a recepção e o salão, puxador de fabrico italiano, 1957. © CMP 2018. 


Cabeleireiro Alfredo & Andrade, puxador de porta de fabrico italiano, 1957. © CMP 2018. 


Tom - Interiores, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Pelo menos desde os tempos da UP e de quando desenhou lambrilhas para o Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Paris, 1937, Tom mantinha contactos pontuais com a prática cerâmica. No entanto, em 1954, o artista aprofundará esta disciplina, realizando um conjunto de experiências na fábrica SECLA, Caldas da Rainha, peças apresentadas nos salões do SNI (Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo), no ano seguinte. Consequentemente, este será um período em que a cerâmica aparecerá como opção nos seus projectos de decoração de interiores.
Assim, quando em 1956 trabalha na concepção do cabeleireiro Alfredo & Andrade, Tom cria um conjunto de candeeiros de parede dominados por máscaras femininas em cerâmica, revisitando a gramática decorativa Art Déco austríaca, aproximando-se da produção da fábrica Goldscheider (Goldscheider'sche Porzellan-Manufactur und Majolica-Fabrik), novamente em voga na década de 1950.
As máscaras e bustos Goldscheider eram produzidos em série, desde a década de 1920, a partir de modelos esculpidos por prestigiados modeladores profissionais, tomando várias funções (candeeiros, floreiras, etc.), sendo esta produção regularmente actualizada, com a introdução de novos modelos.
As máscaras concebidas por Tom assumem um carácter de autor, sendo modeladas e reproduzidas manualmente em pequena quantidade, provavelmente no Estúdio SECLA. Que se saiba, foram realizadas apenas onze, unicamente para este projecto e, apesar de não estarem marcadas ou assinadas, estas peças são coerentes com as experiências realizadas pelo autor no Estúdio SECLA e com outras peças produzidas pela fábrica durante o mesmo período (ver imagens abaixo).



Tom - Máscara/candeeiro, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018. 


Tom - Interiores, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Tom - Máscara/candeeiro, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.


Tom - Máscara/candeeiro, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.


Tom - Máscara/candeeiro, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.



Goldscheider Keramik - Busto feminino, Viena, década de 1920© 1sttdibs



SECLA - Busto feminino, base de candeeiro, Caldas da Rainha, c. 1950-55. © HPS 


Tom - Máscara/candeeiro, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.



Para o mesmo espaço, Tom concebeu candeeiros de tecto, mobiliário e equipamento específico de apoio a cabeleireiro. Desenhou também os fundamentais espelhos de formato trapezoidal que, tal como os grandes espelhos rectangulares, organizam o espaço, desmultiplicando-o em inúmeros efeitos ópticos. 
Conseguindo harmonizar com sucesso as tendências ‘espaciais’ e ‘atómicas’ do momento, que viriam a ser consolidadas na Expo58 em Bruxelas onde trabalhará no projecto expositivo do pavilhão português, com a estilização feminina Art Déco e referências da história da arte, inteligente, Tom orquestrará um espaço com o propósito de agradar simultaneamente a um público maduro e conservador, com poder económico, e também a uma frequência mais jovem, cosmopolita e moderna.   



Tom - Interiores, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Interiores do cabeleireiro Alfredo & Biquette, pouco antes do seu encerramento. © CMP 2018.



Tom - Detalhe do tecto, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.



Tom - Interiores, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Interiores do cabeleireiro Alfredo & Biquette, pouco antes do seu encerramento. © CMP 2018.


Tom - Interiores, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Tom - Interiores, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Tom - Consola, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Walter Bosse - Cinzeiro/mão, Bosse/Baller Co., Viena, década de 1950. © 1sttdibs


Da selecção de objectos decorativos pode destacar-se, sobre a prateleira de vidro da consola, na imagem acima, um cinzeiro em bronze, em forma de mão estilizada, muito próximo do modelo criado por Walter Bosse (1904-1979), para a Companhia Hertha Baller. Designer e ceramista vienense, Bosse, que colaborara, a partir de 1926, com a já referida fábrica Goldscheider, começa a trabalhar em bronze no final da década de 1940, criando mais tarde uma série de peças produzidas e difundidas nos anos seguintes pela Bosse/Baller Co., com a designação "Linha Preto e Ouro", de que faz parte este cinzeiro e muitas outras pequenas figuras de animais. No entanto, o mais provável será que a peça sobre a consola seja de manufactura portuguesa, talvez proveniente da fábrica Barbeitos, Lisboa, conhecida pelo fabrico de figuras estilizadas em bronze polido, à maneira dos designers austríacos Walter Bosse e de Karl Hagenauer (1898–1956).



Tom - Móvel de apoio, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.


Tom - Contentor de apoio com rodas, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.


Tom - Interiores, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © Espólio Alfredo & Biquette, 1957. 


Tom - Candeeiros de tecto, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.


Tom - Candeeiro de tecto, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.


Interiores do cabeleireiro Alfredo & Biquette, durante a sua desmontagem. © CMP 2018.



Em 1969, o cabeleireiro passa a denominar-se Alfredo & Biquette, por alteração da sociedade que o constituía. Esta  designação e sociedade mantiveram-se até início de Abril de 2018, aquando do encerramento do estabelecimento. 


Tom - Logotipo do cabeleireiro Alfredo & Biquette, 1969. © CMP 2018.


Pela sua localização e qualidade, o salão reunia uma clientela seleccionada, frequentadora assídua do Chiado. A partir da segunda metade da década de 1960, uma das clientes habituais foi a editora dinamarquesa Snu Abecassis (1940-1980). A fundadora das Publicações Dom Quixote, em 1965, com escritórios situados na Rua da Misericórdia, nas imediações do Chiado, encomendou ao cabeleireiro, c. 1969-70, alguns penteados cujas imagens iriam ilustrar uma publicação desta editora, pioneira no tratamento de questões do universo feminino e da condição da mulher. 



Alfredo & Biquette - Penteado para ilustração de uma publicação da editora Dom Quixote, c. 1969-70. © Espólio Alfredo & Biquette.

Alfredo & Biquette - Penteado para ilustração de uma publicação da editora Dom Quixote, c. 1969-70. © Espólio Alfredo & Biquette.


No exterior, apesar da manutenção da sobriedade do traçado da fachada, a intervenção de Tom, adicionando alguns elementos distintivos, foi suficiente para criar uma articulação com os estabelecimentos comerciais circundantes.
O salão de cabeleireiro situava-se num primeiro andar sobre as históricas Casa Pereira, mercearia fina fundada em 1930, e a Instanta, loja de fotografia fundada em 1937.  Das suas solarengas varandas podia ver-se a entrada da Rua Ivens e, a partir de 1963, a Casa da Sorte, desenhada pelo arquitecto Francisco da Conceição Silva (1922-1982), com painéis cerâmicos de Querubim Lapa (1925-2016). 
Por agora, conserva-se a vista, já que o uso será outro e o futuro também.



Fachada do cabeleireiro Alfredo & Biquette. © CMP 2018.


Tom - Elemento decorativo da guarda da varanda, cabeleireiro Alfredo & Andrade, 1957. © CMP 2018.


Querubim Lapa - Fachada da antiga Casa da Sorte, actual pastelaria Alcôa, vista do cabeleireiro Alfredo & Biquette. © CMP 2018.


Interiores do cabeleireiro Alfredo & Biquette, durante a sua desmontagem. © CMP 2018.



CMP* agradece todas as imagens cedidas e informações prestadas pelos proprietários dos cabeleireiro Alfredo & Biquette. Agradece também ao coleccionador HPS a cedência de imagens de peças da sua colecção.



segunda-feira, 1 de junho de 2015

Painéis da Casa da Sorte, Lisboa - Querubim Lapa

A Casa da Sorte, situada na confluência entre a Rua Ivens e a Rua Garret, no coração do Chiado, em Lisboa, consubstancia um dos mais completos e integrados projectos conjuntos, realizados por um arquitecto e um artista, no século XX, em Portugal. 
Resultante da colaboração do arquitecto Francisco Conceição Silva (1922-1982) com o ceramista Querubim Lapa (n.1925), este estabelecimento comercial está actualmente desocupado e prestes a ser reconvertido. 
Urge, uma vez mais, chamar à atenção para a sua importância no contexto da história da arte e da arquitectura portuguesas, pelo seu carácter único e excepcional. 
Defendendo a protecção deste edifício, em que exterior e interior constituem um todo, uno e indissociável, fazemos votos de que seja devidamente conservado e celebrado pelos seus novos proprietários.



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963. Fotografia de Garcia Nunes, 1966  AML




A Casa da Sorte do Chiado, projectada em 1962 e inaugurada no ano seguinte, representa o culminar da colaboração entre artista e arquitecto, que vinha a ser desenvolvida e aprimorada desde 1955, com a participação de Querubim Lapa no projecto da loja Rampa, situada no Largo Rafael Bordalo Pinheiro e posteriormente destruída.
A fachada da Rampa, um corajoso rasgo de modernidade, era constituída por um plano envidraçado deixando ver todo o interior da loja, apenas seccionado pelo pórtico concebido pelo ceramista, um aro em betão revestido por placas cerâmicas policromadas que enquadrava uma porta igualmente em vidro, dando continuidade à restante fachada.
Querubim Lapa, cujo primeiro trabalho para arquitectura fora o desenho do revestimento azulejar de padrão para o Centro Comercial do Restelo, a convite do seu autor, o arquitecto Raul Chorão Ramalho (1914-2002), terá no pórtico da Rampa a sua primeira intervenção estrutural num projecto arquitectónico. Já que Conceição Silva pensará a fachada em função do pórtico, tal como este é concebido em função da sua integração na fachada.
Obra maior, a maturidade atingida na Casa da Sorte só é possível após um vasto conjunto de experiências, entre as quais podemos destacar os painéis relevados para os pavilhões portugueses no Comptoir Suisse; na Exposição Universal de Bruxelas e o grande mural da pastelaria Mexicana (actual motivo de preocupação). 



Querubim Lapa - pórtico da loja Rampa, Viúva Lamego, 1955. Imagem publicada na revista Atrium, nº1, 1959.



A instituição comercial Casa da Sorte foi fundada em Braga, em 1933, por António Augusto Nogueira da Silva (1901-1976), com a missão de desenvolver e expandir a Lotaria Nacional, transformando-se a longo prazo no maior requisitante oficial da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. 
A empresa cresceu rapidamente, abrindo lojas no Porto, Lisboa e Coimbra, em 1938, 1940 e 1948, respectivamente. Seguidamente expandiu-se para as províncias ultramarinas de Angola e Moçambique, com vários novos estabelecimentos, entre 1952 e 1970.
A primeira loja em Lisboa, inaugurada na Praça D. Pedro IV, em 1940, contém uma representação tridimensional de grande escala da Rainha D. Leonor, cerâmica da autoria de Jorge Barradas (1894-1971). No entanto, esta é uma peça independente, pensada como uma homenagem à fundadora das Misericórdias e acrescentada posteriormente, já na década de 60, sem relação directa com o projecto arquitectónico. Nogueira da Silva, apreciador de cerâmica, é responsável por várias encomendas de monta a Jorge Barradas, destinadas à sua habitação em Braga, actual Museu Nogueira da Silva, onde ainda se encontram expostas.
Assim, seria Barradas o natural escolhido para trabalhar no projecto do Chiado, tendo sido ele o responsável pela indicação do jovem Querubim Lapa, seu companheiro de trabalho na fábrica Viúva Lamego, onde ambos tinham ateliers individuais.




Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP


Com o projecto de Conceição Silva, a cerâmica irá alcançar um peso determinante na concepção do espaço. Na loja do Chiado, arquitecto e artista trabalham conjuntamente na criação de um objecto cuja orgânica assenta na expressão plástica dada pelo revestimento das paredes. Um espaço de pequenas dimensões, onde a fachada, sóbria de claros azuis e brancos, perfeitamente integrada num contexto de construção Pombalina, funciona em continuidade com o interior, através de uma suave transição cromática, enquadrando uma surpresa dominada por uma paleta de cores quentes e formas exuberantes. 
Na Casa da Sorte do Chiado, Querubim Lapa utiliza placas cerâmicas de grande formato em alternativa ao azulejo convencional. Numa sensível intervenção, suficientemente conservadora no exterior, de modo a evitar o conflito com a envolvente, propõe uma leitura moderna da paleta de cores herdada da azulejaria Pombalina, explorando as texturas e os vidrados em toda a superfície dos revestimentos exterior e interior.
Segundo explicações dadas pelo artista, a dimensão das placas cerâmicas terá sido a maior possível, 20 x 30 cm, respeitando as condicionantes de execução existentes na fábrica de cerâmica Viúva Lamego. O desenho do espaço foi concebido pelo arquitecto em função destas dimensões, tomadas como módulo no sentido clássico do termo, unidade de medida para a concepção do espaço. Não estamos portanto perante uma obra de fachada, pelo contrário, a articulação entre interior e exterior é determinante no entendimento do espaço, concebido como obra de arte total.



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP


A temática tratada na figuração desenvolvida nos revestimentos cerâmicos, está centrada em referências ao jogo, segundo uma leitura aberta e universal da ideia de destino, sorte ou azar. Os números, o pentagrama ou os signos zodiacais, são elementos facilmente identificáveis, tanto no exterior como no interior. 


Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP


Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - painel com espelhos, interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento, com espelho, interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Atelier Conceição Silva - detalhe dos puxadores de porta, Casa da Sorte, 1963.  © CMP


A Casa da Sorte do Chiado, contém também a primeira experiência em cobre esmaltado realizada por Querubim Lapa, um painel executado nas oficinas da Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde o artista leccionava.
Seguindo a temática tratada nos revestimentos das paredes, o número como alegoria do destino, este friso decorativo está suspenso na parede por de trás do balcão, ao nível do olhar dos espectadores que dele se aproximem.

A técnica da esmaltagem sobre placas de cobre, sofre nesta época uma renovação paralela à acontecida na cerâmica de autor, sendo particularmente utilizada em pormenores decorativos em arquitectura, mobiliário e objectos de menor escala. Um dos artistas que mais se destacou no seu uso foi Luís Ralha (1935-2008), autor de frisos decorativos, puxadores de portas e também de pequenos objectos que pontuavam os interiores modernos. A ele se devem os puxadores das portas do Hotel do Mar, 1963, ou as placas esmaltadas embutidas no mobiliário desenhado por Daciano da Costa (1930-2005) para a Reitoria da Universidade de Lisboa, em 1961.

Os esmaltes de Querubim Lapa para a Casa da Sorte, destacam-se pela densidade das cores e solidez das formas, constituindo um contraponto à fluidez e transparência cromática por si obtidas nos revestimentos das paredes. Esta intensidade de azuis ultramarinos e vermelhos estará, por sua vez, em perfeita consonância com os painéis em madeira de tonalidades quentes que revestem o balcão e a parede de fundo.



Querubim Lapa - painel em cobre esmaltado, Casa da Sorte, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhes do painel em cobre esmaltado, Casa da Sorte, 1963.  © CMP



Como afirma Rui Afonso Santos em "Querubim Lapa | Cerâmicas", Ed. Inapa, 2001: 
"Ao seu termo, a Casa da Sorte resultou num projecto notável de arquitectura e decoração, com perfeita unidade e integração plástica, ainda hoje intacta e felizmente preservada."
Esperemos que assim continue por muitos anos, a bem da conservação do património arquitectónico e artístico do século XX, em Portugal.





Nota: As fotografias que ilustram esta publicação foram obtidas em 2011, com a Casa da Sorte aberta ao público e em plena laboração. 
Abaixo podem ver-se imagens que ilustram o seu estado actual.



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP