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domingo, 4 de novembro de 2018

Conferência HOTEL DO MAR: UMA VISÃO MODERNA | CEQL - Centro de Estudos Querubim Lapa


No próximo fim de semana, 10 e 11 de Novembro, decorre no Hotel do Mar em Sesimbra, o conjunto de comunicações e visitas guiadas: HOTEL DO MAR: UMA VISÃO MODERNA | CONFERÊNCIA DE ARQUITECTURA, CERÂMICA E DESIGN, a primeira iniciativa pública do CEQL | CENTRO DE ESTUDOS QUERUBIM LAPA.



Design © Paulo Martins


O CEQL, é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2017, com a missão de promover o estudo, preservação, catalogação e divulgação da obra de Querubim Lapa (1925-2016). Através da sua acção, o CEQL procurará encetar uma dinâmica de debate sobre a intervenção do artista e os seus diálogos com os contextos artísticos português e internacional.
Inaugurando um desígnio que se deseja inclusivo e profícuo, envolvendo investigadores, artistas, arquitectos e outros agentes dos mais variados quadrantes, a conferência HOTEL DO MAR | UMA VISÃO MODERNA, será dedicada à obra colaborativa do Atelier Conceição Silva com Querubim Lapa, incidindo também na acção do arquitecto Francisco da Conceição Silva (1922-1982) como dinamizador do contexto artístico e arquitectónico da época, com especial enfoque nas artes aplicadas e design.
As conferências contam com a participação dos conferencistas: Pedro Lapa (Artis-iha Flul); Célia Gomes (CIAUD - FAUL); Maria Helena Souto (IADE - Universidade Europeia); Rita Gomes Ferrão (Instituto de História da Arte / NOVA FCSH); Suzana Barros Lapa (Ceramista - Oficina do Castelo) e moderação de Pedro Moura Carvalho (Historiador de arte).
Inscrições e programa detalhado em: https://querubimlapa.org/conferencia/



















Publicações sobre o Hotel do Mar:
Hotel do Mar, Sesimbra - Placas cerâmicas de Querubim Lapa I
Hotel do Mar, Sesimbra - Placas cerâmicas de Querubim Lapa II




segunda-feira, 1 de junho de 2015

Painéis da Casa da Sorte, Lisboa - Querubim Lapa

A Casa da Sorte, situada na confluência entre a Rua Ivens e a Rua Garret, no coração do Chiado, em Lisboa, consubstancia um dos mais completos e integrados projectos conjuntos, realizados por um arquitecto e um artista, no século XX, em Portugal. 
Resultante da colaboração do arquitecto Francisco Conceição Silva (1922-1982) com o ceramista Querubim Lapa (n.1925), este estabelecimento comercial está actualmente desocupado e prestes a ser reconvertido. 
Urge, uma vez mais, chamar à atenção para a sua importância no contexto da história da arte e da arquitectura portuguesas, pelo seu carácter único e excepcional. 
Defendendo a protecção deste edifício, em que exterior e interior constituem um todo, uno e indissociável, fazemos votos de que seja devidamente conservado e celebrado pelos seus novos proprietários.



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963. Fotografia de Garcia Nunes, 1966  AML




A Casa da Sorte do Chiado, projectada em 1962 e inaugurada no ano seguinte, representa o culminar da colaboração entre artista e arquitecto, que vinha a ser desenvolvida e aprimorada desde 1955, com a participação de Querubim Lapa no projecto da loja Rampa, situada no Largo Rafael Bordalo Pinheiro e posteriormente destruída.
A fachada da Rampa, um corajoso rasgo de modernidade, era constituída por um plano envidraçado deixando ver todo o interior da loja, apenas seccionado pelo pórtico concebido pelo ceramista, um aro em betão revestido por placas cerâmicas policromadas que enquadrava uma porta igualmente em vidro, dando continuidade à restante fachada.
Querubim Lapa, cujo primeiro trabalho para arquitectura fora o desenho do revestimento azulejar de padrão para o Centro Comercial do Restelo, a convite do seu autor, o arquitecto Raul Chorão Ramalho (1914-2002), terá no pórtico da Rampa a sua primeira intervenção estrutural num projecto arquitectónico. Já que Conceição Silva pensará a fachada em função do pórtico, tal como este é concebido em função da sua integração na fachada.
Obra maior, a maturidade atingida na Casa da Sorte só é possível após um vasto conjunto de experiências, entre as quais podemos destacar os painéis relevados para os pavilhões portugueses no Comptoir Suisse; na Exposição Universal de Bruxelas e o grande mural da pastelaria Mexicana (actual motivo de preocupação). 



Querubim Lapa - pórtico da loja Rampa, Viúva Lamego, 1955. Imagem publicada na revista Atrium, nº1, 1959.



A instituição comercial Casa da Sorte foi fundada em Braga, em 1933, por António Augusto Nogueira da Silva (1901-1976), com a missão de desenvolver e expandir a Lotaria Nacional, transformando-se a longo prazo no maior requisitante oficial da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. 
A empresa cresceu rapidamente, abrindo lojas no Porto, Lisboa e Coimbra, em 1938, 1940 e 1948, respectivamente. Seguidamente expandiu-se para as províncias ultramarinas de Angola e Moçambique, com vários novos estabelecimentos, entre 1952 e 1970.
A primeira loja em Lisboa, inaugurada na Praça D. Pedro IV, em 1940, contém uma representação tridimensional de grande escala da Rainha D. Leonor, cerâmica da autoria de Jorge Barradas (1894-1971). No entanto, esta é uma peça independente, pensada como uma homenagem à fundadora das Misericórdias e acrescentada posteriormente, já na década de 60, sem relação directa com o projecto arquitectónico. Nogueira da Silva, apreciador de cerâmica, é responsável por várias encomendas de monta a Jorge Barradas, destinadas à sua habitação em Braga, actual Museu Nogueira da Silva, onde ainda se encontram expostas.
Assim, seria Barradas o natural escolhido para trabalhar no projecto do Chiado, tendo sido ele o responsável pela indicação do jovem Querubim Lapa, seu companheiro de trabalho na fábrica Viúva Lamego, onde ambos tinham ateliers individuais.




Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP


Com o projecto de Conceição Silva, a cerâmica irá alcançar um peso determinante na concepção do espaço. Na loja do Chiado, arquitecto e artista trabalham conjuntamente na criação de um objecto cuja orgânica assenta na expressão plástica dada pelo revestimento das paredes. Um espaço de pequenas dimensões, onde a fachada, sóbria de claros azuis e brancos, perfeitamente integrada num contexto de construção Pombalina, funciona em continuidade com o interior, através de uma suave transição cromática, enquadrando uma surpresa dominada por uma paleta de cores quentes e formas exuberantes. 
Na Casa da Sorte do Chiado, Querubim Lapa utiliza placas cerâmicas de grande formato em alternativa ao azulejo convencional. Numa sensível intervenção, suficientemente conservadora no exterior, de modo a evitar o conflito com a envolvente, propõe uma leitura moderna da paleta de cores herdada da azulejaria Pombalina, explorando as texturas e os vidrados em toda a superfície dos revestimentos exterior e interior.
Segundo explicações dadas pelo artista, a dimensão das placas cerâmicas terá sido a maior possível, 20 x 30 cm, respeitando as condicionantes de execução existentes na fábrica de cerâmica Viúva Lamego. O desenho do espaço foi concebido pelo arquitecto em função destas dimensões, tomadas como módulo no sentido clássico do termo, unidade de medida para a concepção do espaço. Não estamos portanto perante uma obra de fachada, pelo contrário, a articulação entre interior e exterior é determinante no entendimento do espaço, concebido como obra de arte total.



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP


A temática tratada na figuração desenvolvida nos revestimentos cerâmicos, está centrada em referências ao jogo, segundo uma leitura aberta e universal da ideia de destino, sorte ou azar. Os números, o pentagrama ou os signos zodiacais, são elementos facilmente identificáveis, tanto no exterior como no interior. 


Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe da fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP


Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - painel com espelhos, interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento, com espelho, interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhe do revestimento do interior da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Atelier Conceição Silva - detalhe dos puxadores de porta, Casa da Sorte, 1963.  © CMP


A Casa da Sorte do Chiado, contém também a primeira experiência em cobre esmaltado realizada por Querubim Lapa, um painel executado nas oficinas da Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde o artista leccionava.
Seguindo a temática tratada nos revestimentos das paredes, o número como alegoria do destino, este friso decorativo está suspenso na parede por de trás do balcão, ao nível do olhar dos espectadores que dele se aproximem.

A técnica da esmaltagem sobre placas de cobre, sofre nesta época uma renovação paralela à acontecida na cerâmica de autor, sendo particularmente utilizada em pormenores decorativos em arquitectura, mobiliário e objectos de menor escala. Um dos artistas que mais se destacou no seu uso foi Luís Ralha (1935-2008), autor de frisos decorativos, puxadores de portas e também de pequenos objectos que pontuavam os interiores modernos. A ele se devem os puxadores das portas do Hotel do Mar, 1963, ou as placas esmaltadas embutidas no mobiliário desenhado por Daciano da Costa (1930-2005) para a Reitoria da Universidade de Lisboa, em 1961.

Os esmaltes de Querubim Lapa para a Casa da Sorte, destacam-se pela densidade das cores e solidez das formas, constituindo um contraponto à fluidez e transparência cromática por si obtidas nos revestimentos das paredes. Esta intensidade de azuis ultramarinos e vermelhos estará, por sua vez, em perfeita consonância com os painéis em madeira de tonalidades quentes que revestem o balcão e a parede de fundo.



Querubim Lapa - painel em cobre esmaltado, Casa da Sorte, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - detalhes do painel em cobre esmaltado, Casa da Sorte, 1963.  © CMP



Como afirma Rui Afonso Santos em "Querubim Lapa | Cerâmicas", Ed. Inapa, 2001: 
"Ao seu termo, a Casa da Sorte resultou num projecto notável de arquitectura e decoração, com perfeita unidade e integração plástica, ainda hoje intacta e felizmente preservada."
Esperemos que assim continue por muitos anos, a bem da conservação do património arquitectónico e artístico do século XX, em Portugal.





Nota: As fotografias que ilustram esta publicação foram obtidas em 2011, com a Casa da Sorte aberta ao público e em plena laboração. 
Abaixo podem ver-se imagens que ilustram o seu estado actual.



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



Querubim Lapa - fachada da Casa da Sorte, Viúva Lamego, 1963.  © CMP



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Hotel do Mar, Sesimbra - Placas cerâmicas de Querubim Lapa II

Continuação de:  Hotel do Mar, Sesimbra - Placas cerâmicas de Querubim Lapa I
 
Nesta segunda parte da publicação dedicada ao Hotel do Mar, mostramos mais um conjunto de placas cerâmicas da autoria de Querubim Lapa (n.1925) que, como referimos anteriormente, povoam abundantemente os interiores e exteriores do hotel.
Não nos cumpre fazer uma inventariação destas peças, embora consideremos importante que esta seja feita. Propomo-nos apenas mostrar alguns exemplos significativos e acessíveis a qualquer visitante ou hóspede da unidade hoteleira, bem como mostrar alguns aspectos integrantes do projecto de design de interiores.
O Hotel do Mar é merecedor de um estudo profundo que considere, para além da sua história e impacto futuro, uma inventariação completa das peças que o integram e constituem, bem como dos artistas, artesãos, arquitectos e designers que no seu projecto colaboraram.
Teria sido uma acertada decisão dos seus proprietários, a cujo mérito se deve a sua conservação, a publicação de um volume comemorativo do seu cinquentenário. Façamos votos para que um dia tal projecto se possa concretizar e que os empresários em Portugal demonstrem maior responsabilidade cultural, participando activamente na construção e divulgação do património e cultura do país.



Hotel do Mar, Sesimbra, vista parcial. © CMP


Hotel do Mar, Sesimbra, vista parcial. © CMP


Hotel do Mar, Sesimbra, vista parcial. © CMP



A articulação de volumes impõe aos exteriores do edifício um marcado ritmo visual. Esta dinâmica é sublinhada pela repetição de elementos arquitectónicos, como as floreiras ou os separadores das varandas. 
Varandas onde se encontram algumas placas cerâmicas, colocadas no exterior dos alojamentos virados para o patamar das piscinas. Alguns exemplares apresentam graves problemas de conservação, sendo desejável uma imediata intervenção de restauro, sob pena de irremediavelmente se perderem, o que parece já ter acontecido, pois existem sinais de lacunas.



Querubim Lapa - placa cerâmica exterior, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica exterior, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica exterior, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Hotel do Mar - vista parcial com placas cerâmicas de Querubim Lapa. © CMP



Ligando o corpo principal do edifício ao patamar das piscinas existe uma escada helicoidal, de planta octogonal, iluminada por uma clarabóia do mesmo formato, onde está afixada uma placa quadrangular, cuja figuração antropomórfica se define a partir da reutilização de um comum prato raso, cujo tardoz se transforma em rosto através de um apontamento gráfico sumário. 
Esta peça revela um espírito experimental de assemblage pouco comum na obra de Querubim Lapa, abrindo a possibilidade da exploração de formas circulares inscritas em suportes quadrangulares, que pode encontrar-se noutros exemplares ao longo do percurso.




Hotel do Mar, Sesimbra, vista parcial. © CMP


Hotel do Mar - clarabóia da escada de acesso ao patamar das piscinas, exterior. © CMP


Hotel do Mar - clarabóia da escada de acesso ao patamar das piscinas, interior. © CMP


Hotel do Mar - escada de acesso ao patamar das piscinas. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica, escada de acesso ao patamar das piscinas, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica, Hotel do Mar, 1963. © CMP


No nível superior ao patamar das piscinas, concluídas  em 1966, encontramos uma figura feminina prostrada da relva, peça de autoria do escultor João Cutileiro (n.1937), onde se reconhece uma evidente proximidade formal com o seu trabalho fotográfico do mesmo período. Nesta fase o escultor residia ainda em Londres, após formação da Slade School of Fine Art.
Entre 1941 e 1951, Cutileiro havia frequentado a oficina de Jorge Barradas (1894-1971), onde experimentou a modelação e a pintura cerâmica, no entanto, afasta-se destes materiais, dando preferência à pedra, que dominará a sua produção futura.



Hotel do Mar, Sesimbra, vista parcial. © CMP


Hotel do Mar, Sesimbra, vista parcial. © CMP


João Cutileiro - figura feminina, Hotel do Mar, c.1966. © CMP


Hotel do Mar - vista das piscinas. © CMP


Hotel do Mar - vista das piscinas. © CMP


As placas cerâmicas de Querubim Lapa para o Hotel do Mar são revestidas com vidrados espessos em tonalidades castanhas e azuis conjugadas com branco, constituindo uma gramática expressiva própria.  Embora sejam peças únicas, evidenciam uma clara coerência formal, podendo ser organizadas por tipologias, tanto no que diz respeito ao formato, como ao tipo de figuração. 
Vão dos rostos, peixes ou pássaros de registo ancorado na realidade, até às figuras híbridas, rosto/pássaro ou rosto/peixe, chegando à abstracção. Muitas contém elementos em relevo, outras apenas tiram partido das texturas dos esmaltes.



Querubim Lapa - placa cerâmica, Hotel do Mar, 1963. © CMP



Querubim Lapa - placa cerâmica, Hotel do Mar, 1963. © CMP



Querubim Lapa - placa cerâmica, assinatura, Hotel do Mar, 1963. © CMP



Querubim Lapa - placa cerâmica, Hotel do Mar, 1963. © CMP



Querubim Lapa - placa cerâmica, assinatura, Hotel do Mar, 1963. © CMP



Querubim Lapa - placa cerâmica, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica, assinatura, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica, assinatura, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Querubim Lapa - placa cerâmica, detalhe, Hotel do Mar, 1963. © CMP



Um dos corredores de acesso ao patamar das piscinas alberga um conjunto de monotipias da autoria de Luísa Bastos (n.1940). A artista trabalhou na Cooperativa Gravura e no Centro Português de Tapeçaria, ambos fundados por Francisco Conceição Silva (1922-1982), como já havíamos referido, tendo sido também aluna de Querubim Lapa na Escola de Artes Decorativas António Arroio
Sobretudo dedicada às artes decorativas, algumas monotipias e patchworks de Luísa Bastos foram utilizados noutros edifícios projectados pelo Atelier Conceição Silva, como é o caso do Hotel da Balaia (1967), actualmente descaracterizado pela remodelação dos interiores.




Hotel do Mar - corredor de acesso ao patamar das piscinas. © CMP


Luisa Bastos - monotipias, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Luisa Bastos - monotipia, Hotel do Mar, 1963. © CMP



Abaixo pode ver-se um conjunto de placas de cobre com esmaltes coloridos da autoria de Luís Ralha (1935-2008), aplicadas nos puxadores das portas de acesso às zonas do bar e restaurante panorâmico. Estes elementos decorativos podem ainda encontrar-se noutras portas, alguns demonstrando problemas de conservação, especialmente os que se situam nos acessos ao exterior.
Nestas placas figuram peixes e formas abstractas de cores profundas e traçado contrastante, organizando-se em conjuntos de quatro, por cada par de portas, segundo uma conjugação de formas semelhantes com variações cromáticas.




Luís Ralha - placas esmaltadas nos puxadores das portas de acesso ao bar, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Luís Ralha - placas esmaltadas nos puxadores das portas de acesso ao bar, Hotel do Mar, 1963. © CMP


Luís Ralha - placas esmaltadas nos puxadores das portas de acesso ao restaurante, Hotel do Mar, 1963. © CMP



O mobiliário é muito variado, todo ele executado nas oficinas da casa JALCO, como não podia deixar de ser. O que permitiu ao Atelier Conceição Silva o desenho exaustivo de cada uma das peças, organizadas segundo tipologias adequadas a cada função e espaço.
Estas peças produzidas em série, poderiam ser utilizadas noutros contextos, o que se veio a verificar, por exemplo com os plafonniers.
Nas imagens abaixo podemos ver uma selecção de cadeiras de braços distribuídos pelas áreas comuns do hotel.




Hotel do Mar - vários modelos de cadeiras de braços, 1963. © CMP



Muito mais haveria a dizer sobre a relação entre a cerâmica e o Hotel do Mar, ainda que tal relação seja extensível a muitas outras tecnologias associadas às artes decorativas e ao design.
Obras de autores como Luís Ferreira da Silva (n.1928), de artesãos como José Franco (1920-2009), cerâmica utilitária de produção industrial da SECLA, bem como peças de produção internacional, habitam os interiores do hotel. Talvez mais tarde possamos retomar o assunto e divulgar algumas delas.


Primeira parte da publicação:
Hotel do Mar, Sesimbra - Placas cerâmicas de Querubim Lapa I