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sábado, 22 de setembro de 2018

TEMPOS MODERNOS | Cerâmica Industrial Portuguesa Entre Guerras - Museu Nacional do Azulejo


O Museu Nacional do Azulejo apresenta TEMPOS MODERNOS | CERÂMICA INDUSTRIAL PORTUGUESA ENTRE GUERRAS | COLECÇÃO AM-JMV, a primeira exposição realizada em Portugal inteiramente dedicada ao design para a indústria cerâmica nacional, da primeira metade do século XX. 



[Design Bloodymary & Braun Creative]




Fábrica Aleluia, Aveiro - Jarra modelo 31 (transformado), c. 1935-45. Fotografia Tiago Pinto




Exclusivamente constituída por uma selecção de cerca de quatrocentas peças pertencentes à colecção particular AM-JVM, a exposição procura evidenciar as relações entre a produção cerâmica portuguesa e o contexto internacional, no rescaldo das vanguardas artísticas do início do século XX, centrando-se no período entre as duas Grandes Guerras. Considerando uma larga amostra de manufacturas representativa do tecido industrial da época: Fábrica de Sacavém; Aleluia; Vista Alegre; Massarelos; Lusitânia; Sociedade de Porcelanas de Coimbra; entre outras; e objectos de várias tipologias: serviços de mesa; candeeiros; floreiras; caixas e figuras; trata-se de um sólido conjunto de peças de uso doméstico que apela à memória colectiva do país.




Saleiro Rã - modelo original de Edouard Marcel Sandoz (1881-1971), Théodore Haviland- Limoges, 1916; e modelo Vista Alegre, c.1930. Fotografia Tiago Pinto. 




Sociedade de Porcelanas de Coimbra - Serviço de café modelo Porto, c. 1930-1937 Fotografia Tiago Pinto.




Reveladora de um apurado sentido de sistematização, a coleção foi construída ao longo de várias décadas por António Miranda e José Madeira Ventura. Historiador da Câmara Municipal de Lisboa, António Miranda, foi diretor interino do Museu da Cidade e coordenador do Museu de Lisboa - Palácio Pimenta, onde comissariou, entre outras, as exposições Varinas de Lisboa - Memórias da Cidade  (2015) e A Lisboa que teria sido (2017); José Madeira Ventura foi coordenador da Biblioteca do Departamento de História da Arte e da Biblioteca Geral / Biblioteca Mário Sottomayor Cardia, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa. Com aprofundado interesse pela história do design e das artes aplicadas, os colecionadores dedicaram-se a reunir um conjunto de peças demonstrativas da circulação de modelos e contaminação entre a produção cerâmica europeia. Algumas delas mostradas na sua página Moderna uma outra nem tanto.




Fábrica de Loiça de Sacavém - Castiçal-floreira, c. 1930-40. Fotografia Tiago Pinto





Fábrica de Loiça de Sacavém - Peças de serviço de mesa, c. 1930-50. Fotografia Tiago Pinto. 




A exposição TEMPOS MODERNOS tem curadoria de Rita Gomes Ferrão (responsável por esta página), investigadora do Instituto de História da Arte da FCSH-UNL, autora dos livros Hansi Staël: Cerâmica, Modernidade e Tradição (2014) e Querubim Lapa: Primeira Obra Cerâmica 1954-1974 (2015). Historiadora de arte e curadora, cujo trabalho se tem centrado no estudo das relações entre a produção de cerâmica portuguesa e o modernismo, em contexto internacional.





Fábrica da Vista Alegre - Base de candeeiro, c. 1930. Fotografia Tiago Pinto. 




Fábrica Electro-Cerâmica - Lebres e Coelho branco, c. 1940. Fotografia Tiago Pinto. 




TEMPOS MODERNOS | CERÂMICA INDUSTRIAL PORTUGUESA ENTRE GUERRAS | COLEÇÃO AM-JMV, inaugura a 27 de Setembro de 2018, pelas 18:30h, nas salas de exposição temporária do Museu Nacional do Azulejo e manter-se-á até 2019.





Fábrica Aleluia - Taça modelo 87 – A, c. 1935-45. Fotografia Tiago Pinto. 






domingo, 17 de julho de 2016

Azulejaria moderna na exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa I




Nota prévia: centrando-se apenas na produção do século XX, esta é a primeira de duas publicações cujo texto é integralmente reproduzido das legendas da exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa, que permanecerá no Pavilhão Preto do Museu de Lisboa - Palácio Pimenta até 25 de Setembro de 2016. 

Esta mostra permite a rara oportunidade de ver exemplares de azulejaria outrora integrados em edifícios da cidade de Lisboa, salvos e preservados graças à acção de cidadãos, serviços e funcionários autárquicos, contribuindo para reforçar a evidência de que a cidade seria muito mais rica e interessante caso tivesse sido possível a conservação destas obras in situ
Vale a pena continuar a tentar, começando pela visita a uma exposição motivadora.    



§ § §



O Museu de Lisboa dispõe de uma vasta coleção de azulejaria que, pelo número, variedade e qualidade dos exemplares, se afirma como uma das mais importantes do país, constituída, sobretudo, por azulejos provenientes  de edifícios demolidos ou remodelados, de  prédios em ruínas ou de intervenções arqueológicas
Tendo por objetivo dar a conhecer tão importante acervo, a presente exposição, comissariada por José Meco, um dos mais reputados especialistas nesta área, procura mostrar alguns dos melhores exemplares da coleção do Museu de Lisboa numa perspectiva diacrónica, desde o século XVI até à atualidade, exibindo exemplares, tanto de interior como de exterior, representativos de diferentes estilos e funcionalidades.


Exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa. © CMP


No início do século XX, as manifestações eclécticas e românticas do período anterior foram renovadas através de duas tendências dominantes, a Arte Nova, adoptada pela burguesia ligada ao comércio e indústria, presente na decoração das lojas (como a Casa Gomes Ferreira, na Baixa), e uma produção de tendência nacionalista e historicista, favorecida pelas camadas mais tradicionalistas e conservadoras, desenvolvida por Pereira Cão, Enrique Casanova, Leopoldo Battistini e Jorge Colaço, o principal mentor desta corrente.



Vista parcial da exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa. © CMP



O painel de azulejos, Por minha prima, com moldura original, é uma obra de Jorge Colaço (1868-1942) e foi realizado na Fábrica de Loiça de Sacavém, c. 1916.
Composição de cariz historicista em pintura policroma, com emolduramentos em madeira com ornatos neogóticos, que constituiu presente do pintor Jorge Colaço a uma prima, Jeanne Schmidt Lafourcade Rey Colaço (1858-1957), quando do seu casamento com o médico Leonardo de Sousa de Castro Freire. A noiva era filha do pianista e compositor Alexandre Rey Colaço, irmã da actriz Amélia Rey Colaço e mãe do arquitecto Leonardo Rey Colaço de Castro Freire. O painel representa um cavaleiro cristão, medieval, empenhando uma flor na mão direita e o escudo com a divisa "Por Minha Prima" na mão esquerda. A cena tem por fundo uma paisagem com castelo e uma ponte. Dois pequenos painéis heráldicos referentes aos noivos, com os nomes "Leonardo" e "Jeanne", ladeiam a composição.
Nos azulejos realizados até 1923 na Fábrica de Sacavém, com placas de "pó de pedra", Colaço, pintou sobre o vidrado incolor já cozido, obtendo assim efeitos aguarelados esbatidos, muito característicos da primeira fase da sua produção artística, que divergem da pintura tradicional do azulejo.



Jorge ColaçoPainel, Por minha prima, Fábrica de Loiça de Sacavém, c. 1916. © CMP



Jorge Colaço - Painel, Por minha prima, Fábrica de Loiça de Sacavém, c. 1916, detalhe. © CMP



Júlio A. César da Silva - painel publicitário, Fábrica de Loiça de Sacavém, inícios do século XX. © CMP 


O painel de azulejos Arte Nova, de cariz publicitário, realizado na Fábrica de Loiça de Sacavém, por Júlio A. César da Silva, no primeiro quartel do século XX, realiza uma alegoria à electricidade, representada por uma figura feminina, de pé, assente sobre globo terrestre, empunhado uma lâmpada com a mão direita levantada.
Encontrava-se aplicado na fachada de um estabelecimento comercial de artigos eléctricos, já destruído, na Rua Áurea, em Lisboa, apresentando em cima a legenda do nome da loja: Júlio Gomes Ferreira & Cª.
Este tipo de composições em azulejo foi frequente nos finais da centúria de oitocentos e primeiras décadas do século seguinte, período durante o qual pequenos industriais e comerciantes, através de uma hábil aliança entre a linguagem decorativa e publicitária procuravam atrair clientes aos seus estabelecimentos e transmitir, em simultâneo, uma nota de urbanidade e modernidade. Entre as lojas que então recorreram a este género de painéis (algumas já desaparecidas ou que mudaram de ramo), destacam-se a leitaria A Camponeza, o Animatógrafo do Rossio, a Padaria Inglesa e o Café Royal.



Júlio A. César da Silva - painel publicitário, Fábrica de Loiça de Sacavém, inícios do século XX, detalhe. © CMP



Júlio A. César da Silva - painel publicitário, Fábrica de Loiça de Sacavém, inícios do século XX, detalhe. © CMP



Júlio A. César da Silva - painel publicitário, Fábrica de Loiça de Sacavém, inícios do século XX, detalhe. © CMP



Vista parcial da exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa. © CMP



Conjunto de painéis, realizados na Fábrica de Cerâmica Constância, em 1905, que constituíam parte da decoração exterior da frente do antigo Café Royal, fundado em 1904. As composições figurativas, em azul de cobalto, estão assinadas P. Bonnatove (?) e representam: ambiente interior de café, com personagem sentada a uma mesa; figura feminina, subordinando legenda com anúncio (Água Castelo). As cenas estão envolvidas por cercaduras, relevadas policromas, Arte Nova, da autoria de Viriato Silva, que faziam o contorno dos vãos das portas, integrando vides, parras, cachos de uva, formando nos remates superiores de cada porta, ao centro, uma cabeça feminina.
Este estabelecimento, que se situava na esquina da Praça Duque da Terceira para a Rua do Alecrim, possuía uma das mais belas fachadas de Lisboa, em azulejos daquela corrente estética.



P. Bonnatove e Viriato Silva - painéis da fachada do antigo Café Royal, Fábrica Constância, 1905. © CMP


Composição figurativa, em cores quentes e de expressão sensual, características da estética Arte Nova, representando seis figuras masculinas, com contornos definidos, nuas da cintura para cima, trabalhando numa fundição. A peça estava aplicada no frontão de uma oficina de fundição, destruída, situada na Rua dos Remédios à Lapa, em Lisboa, e fazia par com uma outra, similar do ponto de vista técnico e decorativo, alusiva a uma forja. Este painel foi realizado por José António Jorge Pinto (1875-1945), principal pintor de azulejos Arte Nova, na Fábrica de Campolide, em 1906.



José António Jorge Pinto - painel A Fundição, Fábrica de Campolide, 1906. © CMP


As Arts Déco triunfaram na Europa no final da 1ª Guerra Mundial, em 1918, mantendo-se durante duas décadas e substituindo a liberdade formal da Arte Nova por motivos mais depurados e geometrizados, de excelente design, cuja essência é mais gráfica do que volumétrica. Para além da vasta produção de azulejos aerografados da Fábrica de Loiça de Sacavém, destacaram-se as criações da oficina de azulejos da Fábrica Lusitânia, ao Arco do Cego em Lisboa, dirigida por António Costa, onde o discreto relevo utilizado na separação das cores planas era obtido através de tubagem, como nos exemplares expostos, provenientes da fachada da loja da própria fábrica.



Oficina de António Costa - placa toponímica e painéis da antiga loja da Fábrica Lusitânia, c.1930-39.  © CMP


Silhares de azulejos policromos de estilo Arts Déco, formando composições geometrizantes. Foram decoradas através de tubagem (tubelining), técnica exclusivamente utilizada em Portugal pela Fábrica de Cerâmica Lusitânia, que consistia na aplicação com bisnagas, de barro líquido que caia em fio sobre a chacota, formando desse modo os limites relevados das decorações que eram seguidamente esmaltadas, sugerindo de certa forma as antigas técnicas hispano-mouriscas da aresta.
Estes exemplares, criados na oficina de azulejos dirigida por António Costa naquela unidade fabril, c. 1930-39, constituíam parte da ornamentação da fachada da loja da Fábrica Lusitânia, na Rua do Arco do Cego, Lisboa, servindo de suporte informativo ao tipo de materiais ali comercializados. O primeiro integra a legenda GRÉS/ REFRATÁRIOS, enquanto o outro, fazia a separação entre os artigos publicitados. Foram recolhidos pelo Museu da Cidade, em 1988, aquando da demolição da fábrica.


Oficina de António Costa - painel da fachada da antiga loja da Fábrica Lusitânia, c.1930-39.  © CMP



Oficina de António Costa - painel da fachada da antiga loja da Fábrica Lusitânia, c.1930-39.  © CMP



Oficina de António Costa - painel da fachada da antiga loja da Fábrica Lusitânia, detalhe, c.1930-39.  © CMP



Oficina de António Costa - painel da fachada da antiga loja da Fábrica Lusitânia, detalhe, c.1930-39.  © CMP



Fred Kradolfer (1903-1968) foi precursor em Portugal do design gráfico, tendo a sua actividade estendida desde as artes gráficas ao vitral, à cerâmica e à publicidade. 
Kradolfer é o autor do revestimento azulejar da Confeitaria de Santos, executado na Fábrica de Sant'Anna, Lisboa, e meados do século XX. Composição de feição bastante gráfica, organizadas de modo seriado, alternando três azulejos diferentes: um com uma barca e os corvos (Armas de Lisboa) sobre um fundo de linhas paralelas, simulando ondas; outro, só a repetir essas linhas; e o restante, com simplificadas volutas, enquadrando traços arqueados, dispostos na vertical e que intercalam silhuetas de aves. Os dois exemplares, ambos em verde e vermelho, mas com as cores trocadas entre si, encontravam-se a revestir uma confeitaria na zona de Santos-o-Velho.




Fred Kradolfer - azulejos da antiga Confeitaria de Santos, Fábrica de Sant'Anna, meados do Séc. XX. © CMP 



Fred Kradolfer - azulejos da antiga Confeitaria de Santos, Fábrica de Sant'Anna, meados do Séc. XX. © CMP 



Fred Kradolfer - azulejos da antiga Confeitaria de Santos, Fábrica de Sant'Anna, meados do Séc. XX. © CMP 



Vista parcial da exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa. © CMP


Continua em: Azulejaria moderna na exposição Fragmentos de Cor | Azulejos do Museu de Lisboa II



domingo, 22 de maio de 2016

Jarra - Fábrica Cerâmica do Carvalhinho

A Fábrica Cerâmica do Carvalhinho, fundada a 13 de Novembro 1841, por Thomaz Nunes da Cunha e António Monteiro Cantarino, ambos com anterior actividade cerâmica, terá recebido a designação da Capela do Senhor do Carvalhinho, uma vez que se situava nas suas imediações, na Quinta da Fraga, mantendo-se nesta localização até c.1853-55.
Na viragem do século a indústria cerâmica nacional debate-se com a concorrência estrangeira, em especial com a entrada em Portugal de produtos vindos de França, Alemanha e Inglaterra. A sua subsistência foi dificultada pelo atraso tecnológico e deficientes infraestruturas em relação às concorrentes. Em 1923, a fábrica deslocou as suas instalações para Vila Nova de Gaia, perto da estação de caminho-de-ferro das Devesas, investindo também numa enorme modernização tecnológica, segundo os modelos das unidades industriais alemãs e inglesas, transformando-se numa das mais importantes indústrias cerâmicas da região Norte. Entre 1930 e 1965, pertenceu à Fábrica de Louça de Sacavém, acabando por encerrar em meados da década de 1980.



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, c.1945-55. © CC



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, detalhe, c.1945-55. © CC


A jarra bilobada aqui apresentada é o modelo A-22 e faz parte da Série A (Género moderno), como pode verificar-se pelas fotografias de catálogo reproduzidas no final desta publicação.
Uma vez que está marcada MADE IN PORTUGAL, inferimos que seja de produção posterior ao final da II Guerra Mundial, quando a legislação internacional passa a exigir este tipo de marcação. No entanto, não temos qualquer outra referência sobre a datação ou autoria do desenho do modelo.



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, c.1945-55. © CC



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, detalhe, c.1945-55. © CC



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, c.1945-55. © CC




Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, marca, c.1945-55. © CC



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, marca, c.1945-55. © CC



A jarra modelo A-22 mede 18,5 x 21,5 x 9 cm, tendo sido produzida com várias decorações. Abaixo reproduzimos um exemplar cujo acabamento e esmalte parecem ser posteriores, assemelhando-se a outros do mesmo período encontrados em peças da Fábrica de Loiça de Sacavém.
Embora com óbvias características formais e decorativas Art Déco, tudo indica que a Série A (Género moderno), tenha sido produzida até tarde, talvez ainda durante as décadas de 1950 a 60.



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, c.1955-65. © CMP


Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, c.1955-65. © CMP


Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, c.1955-65. © CMP



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, c.1955-65. © CMP



Fábrica do Carvalhinho - Jarra modelo A-22, tardoz, c.1955-65. © CMP



As fotografias de catálogo, publicadas abaixo, pertencentes ao Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso do Museu de Cerâmica de Sacavém, foram retiradas de Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém e ilustram alguma da produção moderna da Fábrica do Carvalhinho, durante a administração da Fábrica de Sacavém, entre 1930 e 1965. 
Estas peças aparecem numa tabela de preços sem data, talvez das décadas de 1930 a 40, sob a designação: Série A (Género moderno), marcando uma clara ruptura com aquela que era a regular produção da Fábrica do Carvalhinho, que continuará a ser fabricada em paralelo. A Série A (Género moderno) demonstra óbvias influências internacionais, tanto nas formas como nos vidrados, em especial da produção britânica, alemã e checa.



Série A (Género moderno) - fotografia de catálogo, Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso


Jarra A-18
Jarra A-22
Jarra A-24


Série A (Género moderno) - fotografia de catálogo, Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso


Cinzeiro A-1
Bilheteira c/ asa de palha A-3
Caixa-cigarros A-15
Cinzeiro A-16
Cestinha c/ asa A-21
Taça oval A-25


Série A (Género moderno) - fotografia de catálogo, Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso



Jarra A-11
Jarra A 13
Jarra A 14
Jarra A 19
Jarra A 20



Série A (Género moderno) - fotografia de catálogo, Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso



Jarra fantasia A-17
Jarra balão A-26
Jarra alta A-29



Série A (Género moderno) - fotografia de catálogo, Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso



Caixa oval A-27
Candelabro para 3 velas A-28
Caixa redonda A-33



CMP* agradece à coleccionadora Catarina Cardoso a cedência de imagens de peças da sua colecção.



domingo, 8 de novembro de 2015

Cerâmica na exposição Desejo, Tensão, Transição – Percursos do Design Português - EXD'15

Em 2015, a EXPERIMENTADESIGN reconfigura-se, estendendo-se ao norte do país, contando com exposições no Porto e em Matosinhos. 
A 9ª edição da Bienal decorrerá entre 12 de Novembro e 20 de Dezembro, sob o tema As Far As the Mind Can See, centrando-se nas capacidades inventivas, responsáveis pela visão prospectiva promotora da criação.

A exposição Desejo, Tensão, Transição – Percursos do Design Português, organizada pela Câmara Municipal de MatosinhosEXD’15 e ESAD IDEA — Investigação em Design e Arte, com curadoria geral de José Bártolo, é considerada a mais ambiciosa da EXD’15, tanto pela escala e abrangência, como pela duração. Estará patente na Galeria Nave, em Matosinhos, de 12 de Novembro de 2015 a 12 de Março de 2016. 


[Design R2]


Desejo, Tensão, Transição – Percursos do Design Português, "propõe uma perspetiva singular do design português, da produção contemporânea em diversas áreas (do design de produto ao editorial, do design multimédia ao mobiliário) e da relação entre a contemporaneidade e a história.", estando organizada em 16 módulos expositivos, cada um com curadoria própria.

MÓDULOS EXPOSITIVOS:

BRINCADEIRA COM FUNÇÃO - Parte de uma definição de design dada por Sebastião Rodrigues para reunir cerca de 20 projetos de produção contemporânea.
José Bártolo

GEOMETRIA DAS CORES - A partir do arquivo da Fábrica de Cerâmica de Sacavém.
José Bártolo

POLÍTICA DO ESPÍRITO - Sobre a ligação entre design e política, no período do Estado Novo, entre 1933 e 1950.
José Bártolo

SENTAR - Objectos que respondem a esta função, privilegiando a produção contemporânea mas sugerindo diálogos com a história.
José Bártolo

OLAIO - Seleção de desenhos de ambientes e peças de mobiliário desenvolvidas para produção da Fábrica Olaio.
José Bártolo

ESCOLA DO PORTO, ENTRE ARQUITETURA E DESIGN - Conjunto de objetos de design projetados por arquitetos de várias gerações formados na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.
Maria Milano

DESENHAR O MODERNISMO - Conjunto de material de arquivo – estudos, não publicados — de António Soares, figura maior da ilustração e do design português da primeira metade do século XX.
José Bártolo

USAR E NÃO DEITAR FORA - Aproximações à produção cerâmica em Portugal, da segunda metade do século XX ao século XXI.
Rita Gomes Ferrão

VISTA ALEGRE - 40 peças de produção contemporânea.
Alda Tomás

EDIÇÃO LIMITADA - As fronteiras disciplinares do design a partir da reunião de projetos de peças únicas ou de série limitada.
José Bártolo

SOBRE(A)POSIÇÃO - 40 cartazes para clientes culturais.
Sérgio Alves

SYNESTHESIA - As relações entre imagem e som, a partir do universo da edição independente contemporânea.
Inês Nepomuceno

WIDE® - SYMBOLS & LOGOS PORTUGAL - As marcas em Portugal nos últimos 10 anos, através daquilo que é considerado a essência da sua representação das marcas - o logo.
Gonçalo Cabral

TIPOS - Panorama atual do design de tipos de letra em Portugal.
Rui Abreu

A ALEGRIA É A COISA MAIS SÉRIA DA VIDA - A história do desenho de humor desde o final do século XIX aos nossos dias.
Jorge Silva

BEST PORTUGUESE BOOK DESIGNS - Seleção de livros editados entre 2010 e 2013 no âmbito do projeto BPBD, tendo por objetivo a documentação, promoção e valorização de livros concebidos, desenhados e produzidos em Portugal.
João Martins, João Santos, João Simões, João Sousa, Marta Veludo, Ricardo Leite



[Design R2]


O design cerâmico estará representado em vários módulos expositivos, graças às opções curatoriais de José Bártolo, reveladoras de uma visão ampla e ecléctica do modo como o desenho de objectos foi abordado ao longo da história recente.

No módulo USAR E NÃO DEITAR FORA, da responsabilidade da editora desta página, pela primeira vez a EXD dedicará espaço expositivo à produção cerâmica portuguesa da segunda metade do século XX.
Procurou-se, através de um número restrito de peças, possibilitar várias aproximações à produção em série, industrial ou de autor, enfatizando as relações entre passado, presente e futuro.

Estarão presentes peças produzidas por várias fábricas. A destacar: Aleluia, SECLA, SPAL, Sacavém, Sado Internacional, Raul da Bernarda, Campos & Filhos, Constância, São Bernardo, Vista Alegre, Molde e Matcerâmica. 






Estará representado um vasto conjunto de autores, abrangendo um largo arco temporal e geracional: António Pedro (1909-1966); Maria Helena Matos (n.1924); Carlos Vizeu (1925-2012); Daciano da Costa (1930-2005); Mirja Toivola (n.1933); Maria de Lourdes Castro (n.1934); Eduardo Afonso Dias (n.1938); Manuel da Bernarda (n.1941); José Barros Gomes (n.1944); Salette Brandão (n.1952); Raul Cunca; Fernando Brízio (n.1968); Vítor Reis (n.1974); Pedrita - Rita João (n.1978) e Pedro Ferreira (n.1978); João Abreu Valente; Raquel Castro (n.1980); Gonçalo Campos (n.1986).







USAR E NÃO DEITAR FORA

No contexto português, a reformulação dos processos industriais após a II Guerra Mundial conduz à gradual introdução do design industrial e à criação de gabinetes de design no seio das unidades fabris. As técnicas da olaria tradicional foram perpetuadas na criação de novos modelos e apropriadas pelos vários autores, ao longo das décadas seguintes. No advento do século XXI, com a falência da grande indústria, assiste-se ao questionar dos processos fabris e à afirmação da pequena produção de carácter autoral. A necessidade de uma busca identitária, reflecte-se na reutilização de materiais autóctones ou nas práticas e linguagens tradicionais, reconfigurando-as segundo uma gramática contemporânea. O uso de objectos ancestrais será sempre recorrente, associado ou não a usos locais. À sua repetição regular soma-se uma constante renovação, através de novas leituras. Sublinhando ou desafiando a memória.



Mais informações em:
http://www.esad.pt/pt/feeds/desejo-tensao-transicao
http://www.experimentadesign.pt/2015/pt/index.html


Um agradecimento a todos os que possibilitaram a concretização deste projecto, em especial aos coleccionadores, empresas e designers, envolvidos.