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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Figuras e vasos - Maria Luísa Fragoso

Apesar de pouco conhecido, o trabalho de Maria Luísa Fragoso (1907-1985), enquanto ceramista e directora do ECA - Estúdio de Cerâmica de Arte, ocupa um lugar importante na divulgação e ensino da cerâmica  moderna em Portugal.
M.L. Fragoso iniciou-se na pintura pela mão do pintor naturalista António Saúde (1875-1958), abandonando esta disciplina em 1940, para se dedicar exclusivamente à cerâmica. 
Foi ainda discípula e esposa de João Fragoso (1913-2000), fundador do Estúdio-Escola de Cerâmica, em Lisboa. Sem o acompanhar no fascínio pela abstracção, linguagem abraçada pelo escultor a partir de 1954, Maria Luísa mantém-se fiel às temáticas do figurado popular português, contaminadas por alguma modernidade formal, vinda sobretudo da escola italiana de Faenza.
Entre 1944 e 1945, cursa Cultura Hispânica, na Universidade de Santander, licenciando-se em História da Arte, na Universidade de Santiago de Compostela, como bolseira do Instituto de Investigação Científica de Madrid, Espanha.
Participa na Exposição Nacional de Cerâmica, em 1952, sendo-lhe atribuído pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação), o Prémio Manuel da Costa Brioso.



Maria Luísa Fragoso na E.C.A., revista Lusíada, Volume II, nº6, Dezembro de 1954. Matriznet

Em 1954, o Estúdio-Escola de Cerâmica realiza a sua segunda exposição, na Casa Quintão, loja de mobiliário e decoração na Rua Ivens, em Lisboa, onde M.L. Fragoso mostra 26 peças. 
Ainda nesse ano, é galardoada com a Medalha de Ouro da Exposição Internacional de Cannes, vendo o seu trabalho reconhecido internacionalmente, ao mesmo nível dos ceramistas sediados no sul de França, responsáveis pela modernização da cerâmica de autor mediterrânica (por exemplo, Roger Capron, ganha, no mesmo ano, a Medalha de Ouro da X Triennale de Milan, e a Medalha de Prata em Cannes, no ano seguinte).

O trabalho da ceramista demonstra uma enorme evolução, durante a segunda metade da década de 50, tanto na modelação como no cromatismo. 
A modelação torna-se mais escultórica e eficaz, explorando superfícies irregulares trabalhadas com esmaltes brilhantes e baços, de cores profundas e sólidas, no entanto, a expressão mantém-se de cariz popular, explorando temas correspondentes ao gosto dominante, de que são exemplo as Meninas abaixo reproduzidas.


Maria Luísa Fragoso / E.C.A. - Menina, peça modelada em barro vermelho, sem data. © CMP


Maria Luísa Fragoso / E.C.A. - Menina, peça modelada em barro vermelho, sem data. © CMP



Maria Luísa Fragoso / E.C.A. - Menina, peça modelada em barro vermelho, sem data. © CMP



Maria Luísa Fragoso / E.C.A. - Placa decorativa, peça modelada em barro vermelho, sem data. © CMP


Maria Luísa Fragoso / E.C.A. - Placa decorativa, assinatura. © CMP


M.L. Fragoso foi Bolseira de Cerâmica, da Fundação Calouste Gulbenkian, em Itália, França e Espanha, em 1961, experiência que se reflecte no seu trabalho de forma bastante visível.
A primeira metade da década de 60, consolida-se numa maturidade estilística e técnica, sem precedentes na década anterior, da qual são exemplos os vasos abaixo reproduzidos.


Maria Luísa Fragoso - Vaso, peça modelada em barro vermelho, 1965. © CMP


Maria Luísa Fragoso - Vaso, peça modelada em barro vermelho, 1965. © CMP


Maria Luísa Fragoso - Vaso, peça modelada em barro vermelho, 1969. © CMP

Podemos encontrar, na obra da ceramista, indícios da convivência com a obra cerâmica de Hein Semke (1899-1995), artista alemão, radicado em Portugal no início da década de 30. 
Participantes regulares das exposições organizadas pelo SNI, é natural que os dois ceramistas se tenham cruzado e convivido.
Semke, com formação em escultura na Academia de Belas Artes de Hamburgo, dedica-se mais profusamente à cerâmica, após a promulgação da lei para a protecção dos artistas nacionais, em 1941, que o afasta das encomendas oficiais, logo após ter integrado as equipas responsáveis pela elaboração da Exposição do Mundo Português, em 1940.
Ao ver-se privado das encomendas de estado, fundamentais à sobrevivência dos artistas no contexto da época, Semke abraça a cerâmica como solução comercial, melhor correspondente às solicitações decorativas das habitações da burguesia em crescimento, acabando por desempenhar um papel renovador, da maior relevância para a cerâmica moderna portuguesa.
Na taça, abaixo reproduzida, é notória a influência de Semke, no traçado das figuras das varinas, o que também acontece na modelação de algumas representações da Paixão de Cristo (ver imagens abaixo), ainda que a linguagem de M.L. Fragoso não possua a força expressiva e o desempenho técnico do escultor, acabando sempre por recair num registo suave, de uma certa ingenuidade mais próxima do figurado popular.


Maria Luísa Fragoso - Taça, peça modelada em barro vermelho, sem data. © CMP


Maria Luísa Fragoso / E.C.A. - Calvário, peça modelada em barro vermelho, sem data. © CMP


Maria Luísa Fragoso / E.C.A. - Calvário, detalhe. © CMP


Maria Luísa Fragoso - Anunciação, peça modelada em barro vermelho, sem data. © CMP


Maria Luísa Fragoso - Anunciação, detalhe. © CMP

Todas as peças pertencem às colecções do Museu da Cerâmica, nas Caldas da Rainha, sendo as imagens aqui publicadas provenientes da exposição temporária Maria Luísa Fragoso nas Colecções do Museu da Cerâmica.



sexta-feira, 30 de março de 2012

Jarro - Hansi Staël - SECLA

Jarro da autoria de Hansi Staël (1913-1961) produzido pelo Estúdio SECLA, por si fundado no início da década de 50.
Depois de chegada a Portugal em 1946, vinda de Estoclomo, onde havia permanecido durante a Guerra, Staël desenvolve várias disciplinas artísticas, chegando à cerâmica através de experiências efectuadas no atelier de João Fragoso (1913-2000).  A artista húngara terá demonstrado um interesse especial pela produção cerâmica das Caldas da Rainha provavelmente através de Fernando da Ponte e Sousa (1902-1990), entretanto tornado sócio maioritário da SECLA, com quem contactara no Estúdio-Escola de Cerâmica, fundado em Lisboa por Fragoso.
Imediatamente após a sua contratação pela SECLA para chefiar a secção de pintura, Hansi Staël inicia um processo de transformação profunda na linhas de produção da fábrica.
A atribuição de maior valor à exploração plástica das superfícies enfatizando a pintura, acabará por deixar de lado as formas tradicionais da cerâmica das Caldas, cuja gramática decorativa tinha por base o relevo.

Hansi Staël - jarro c. 1950, SECLA. © CMP

No caso deste jarro, não só não há relevo como também não existem elementos decorativos aplicados, a inovação está na própria concepção estrutural da forma.
É uma peça rodada e modelada em pasta vermelha, esmaltada a branco e pintada a verde sobre o vidrado, com apontamentos  rosa e amarelo, sobre os quais se intersectam segmentos de recta esgrafitados, criando signos lineares semelhantes a asteriscos.
Mede 17 x 20 x 12 cm, incluindo a asa que é composta  por duas fitas entrançadas.


Hansi Staël - jarro c. 1950, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro c. 1950, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro c. 1950, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro, detalhe, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro c. 1950, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro c. 1950, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro, detalhe da asa, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro, detalhe da base, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro, detalhe, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro, detalhe da base, SECLA. © CMP

Hansi Staël - jarro, marca de fabrico, SECLA. © CMP

A base está marcada com o punção "SECLA" e o número "2", "Portugal" aparece escrito à mão. A mesma marcação é usada em peças com características e formatos completamente diferentes, levando-nos a concluir que nada tem a ver com o modelo ou decoração.
O formato é equivalente ao do jarro reproduzido na página 49 do catálogo Estúdio SECLA - Uma Renovação na Cerâmica Portuguesa, edição do Museu Nacional do Azulejo, 1999. Esta peça, atribuída a Hansi Staël, deverá ter sido o protótipo, uma vez que está  marcada com a palavra "MODELO" no interior da boca.


Hansi Staël - Modelo, SECLA. Publicada no catálogo Estúdio SECLA - Uma Renovação na Cerâmica Portuguesa, edição do Museu Nacional do Azulejo, 1999.

Embora no referido catálogo a datação proposta seja de c.1955, é provável que a concepção da peça seja anterior, já que na imagem abaixo reproduzida, de 1950, se pode ver um jarro em tudo semelhante, ainda que com uma asa simples.

As peças produzidas no Estúdio eram mostradas a par com outras da produção corrente, mais tradicionais, de modo a promover a imagem inovadora da fábrica e simultaneamente educar o gosto dos consumidores contribuindo para a sua renovação, como explica Alberto Pinto Ribeiro (1921-1989) em A Nova Cerâmica da Caldas (1989):
 "O aparecimento das novas Cerâmicas na SECLA não foi fácil de ser aceite pelo público menos ligado a novas e estranhas formas. A aceitação só foi conseguida gradualmente pela exposição em feiras, ao misturar a produção de peças de uso doméstico com a produção contemporânea criada por um grupo de artistas.
Não era uma imposição propositada, mas para lhe ir introduzindo as novas formas artísticas, que começaram a ser conhecidas."
A SECLA participou, durante dois anos, na Feira de Artesanato de Munique, pondo em prática a referida estratégia. No segundo ano, 1950, a unidade fabril viu algumas das suas peças seleccionadas pelo júri da feira, de entre os cinquenta e seis países representados.
A imagem mostra o espaço da SECLA no pavilhão português, durante uma visita do ministro alemão da Economia e futuro Chanceler, Ludwig Erhard (1897-1977), um dos grandes responsáveis pela recuperação económica da Alemanha no pós Guerra.
Enquanto ministro da Economia, Erhard fomentou o ensino das técnicas artesanais aplicadas a uma concepção moderna, através da criação de novas escolas de artes aplicadas, que muito contribuíram para o sucesso do prolífico design cerâmico alemão nas décadas subsequentes, renovando a indústria e dando emprego a milhares de operários especializados.


Espaço da SECLA na Feira de Artesanato de Munique, 1950. Imagem publicada em A Nova Cerâmica da Caldas (1989) da autoria de Alberto Pinto Ribeiro.

Como pode depreender-se das imagens, foram executadas variações da mesma forma, com decorações diferentes ou semelhantes.


Hansi Staël - covilhete com asa, c. 1950, SECLA. MdS Leilões

Estas peças de Hansi Staël demonstrem uma plasticidade dinâmica conferida por uma aparência de espontaneidade típica da produção de cariz popular. Ainda que esta aparência resulte da apropriação e tratamento consciente de algumas das características da tradição barrista portuguesa, de modo a incorporá-las na concepção de peças perfeitamente enquadradas no contexto internacional.
Vários ceramistas demonstraram internacionalmente preocupações semelhantes, nomeadamente na produção do Sul de França, da zona de Vallauris, onde, após a Segunda Guerra Mundial, se instalou um conjunto de artistas vindos das escolas de artes e arquitectura Parisienses, que, absorvendo as técnicas da produção local, a renovaram de forma profunda e duradoura.
Uma das figuras mais visíveis deste retorno às técnicas artesanais foi Pablo Picasso (1881-1973), cujo o trabalho desenvolvido na oficina Madoura, entre 1947 e 1971, estabeleceu novos parâmetros de exigência, tanto na produção local como internacional.


Cerâmicas de Picasso na oficina Madoura, Vallauris, c.1955.

Robert Picault (1919-2000), um dos elementos fundamentais da geração responsável por esta renovação, fez a sua formação em artes aplicadas em Paris, dedicando-se ao ensino do desenho no período imediato ao fim da Guerra.
Em 1945, juntamente com os colegas de trabalho Jean Derval (1925-2010) e Roger Capron (1922-2006), decide fundar um atelier de cerâmica. Picault mudou-se para a Riviera Francesa, instalando-se em Golfe Juan, onde ao mesmo tempo que ensinava, foi aprendendo a arte da cerâmica.
Capron juntou-se-lhe em 1946 e abriram o primeiro atelier, o famoso Callis. Picault desempenhava as funções de modelador, Capron de pintor, enquanto Derval tratava da expansão dos negócios em Paris.
Nesse mesmo ano, as oficinas Madoura e Callis juntamente com André Baud (1903-1986), organizam a primeira exposição de ceramistas de Vallauris, marcando o início de uma nova era para a região e para a cerâmica francesa.
Esta nova vaga de artistas aplica os grandes princípios do modernismo, fundindo formas expressionistas com uma sensibilidade mediterrânica. Duas tendências genéricas acabam por estabelecer-se, o interesse pelos temas animalistas e figuração humana e o interesse pelas decorações geométricas.


Robert Picault - Jarros, c.1950-60, Vallauris. Piasa

Robert Picault, integra a segunda opção, dedicando-se a explorar elementos decorativos geométricos de carácter abstracto. Estabeleceu-se individualmente, em 1948, logo desenvolvendo uma gramática decorativa particular, habitualmente aplicada em peças utilitárias.
Dominada por quadrados, círculos e triângulos, pintados à mão em tonalidades de castanho rosado, verde e azul sobre vidrado branco, esta gramática decorativa é pontuada por signos lineares esgrafitados, criando padrões complexos de execução livre.
A decoração do jarro de Staël aproxima-se do trabalho de Picault, não tanto pela forma, mas sobretudo pelo tratamento plástico da superfície, quer no cromatismo, quer no uso do esgrafito.
A produção de Picault alcançou imenso sucesso durante a década de 50, em 1955 a sua oficina já empregava 25 trabalhadores, dedicando-se também à produção de peças de estúdio de maior escala e  sendo vendida nos grandes armazéns internacionais.


Robert Picault - Jarro com asa dupla, 32 x 18 x 11 cm, c.1950-60, Vallauris. CornerShopDesign

Robert Picault - Jarro com asa dupla, 32 x 18 x 11 cm, c.1950-60, Vallauris. CornerShopDesign

Robert Picault - Jarro com asa dupla, marca de fabrico. CornerShopDesign


Robert Picault - Jarro, 29 x 10 cm, c.1950-60, Vallauris. CornerShopDesign

Robert Picault - Jarro, 29 x 10 cm, c.1950-60, Vallauris. CornerShopDesign

Robert Picault - Jarro, marca de fabrico. CornerShopDesign


Robert Picault - Prato compartimentado nº5, 22,5 x 21 cm, Vallauris, c.1970. eBay






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cerâmica portuguesa no Musée des Beaux-Arts em Ostende e no The Kiln Club of Washington - 1959

Em 1959, a cerâmica moderna portuguesa é difundida através de duas importantes exposições, a Exposition International de Ceramique Contemporaine, no Musée des Beaux-Arts, em Ostende na Bégica e a The Seventh International Exhibition, realizada no The Kiln Club of Washington, em Washington DC, nos EUA.
Estas mostras reúnem um conjunto notável de ceramistas, desde o pioneiro Jorge Barradas (1894-1971) às jovens Cecília de Sousa (n.1937), Maria de Lourdes Castro (n.1934) e Maria Manuela Madureira (n.1930).
As representações internacionais, regra geral organizadas pelo Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo, mais conhecido por SNI, órgão encarregado de levar a cabo as políticas culturais do regime, eram divulgadas na imprensa, em especial na Panorama: Revista Portuguesa de Arte e Turismo, publicação oficial deste órgão educacional e propagandístico.  
Assim, o nº16/III série, de 1959, da revista Panorama, à época dirigida por Ramiro Valadão, noticia o evento, explicando que a cerâmica, "Arte entre nós bem mais jovem e circunscrita do que a pintura e a escultura, sofre o primeiro impulso, para a nobilitar, com as procuras de Jorge Barradas, concretizadas brilhantemente nas exposições de 1945 e 1948. 
De então para cá - e o que são pouco mais de dez anos para construir de novo uma arte abastardada? - os artistas trabalham, procuram: e de vulto é esse trabalho e procura; tanto que permite sem vergonha aparecer, e provoca, com honra e orgulho, o convite para se fazerem representar, os artistas e Portugal nas mais importantes exposições. 
À obra de Fernando Abranches, Cecília Alves de Sousa, Jorge Barradas, Manuel Cargaleiro, Maria de Lourdes Castro, João Fragoso, M. Manuela Madureira, José Sanches e Hansi Stäel se deve, com muitos outros, este recuperar tempo perdido, e a posição adquirida pela cerâmica de arte portuguesa nos certames internacionais.
Artistas portugueses - ceramistas, escultores e pintores - que são, ao fim ao cabo, embaixadores de Portugal e da sua cultura: embaixadores e testemunhos."

Neste artigo, não assinado, fica clara a necessidade de recuperar o tempo perdido no que à cerâmica diz respeito, reflectindo a falta de investimento criativo nesta tecnologia artística, em Portugal, durante o período entre as Guerras.
Publicamos abaixo, as imagens que ilustram a referida notícia, com as legendas tal como aparecem na revista Panorama.


Manuel Cargaleiro - jarra. © CMP

João Fragoso - jarra. © CMP

Fernando Abranches - A Nossa Mãe© CMP

Jorge Barradas - Senhora e Menino, 1957. © CMP

Maria Manuela Madureira - Sofisma, 1959. © CMP

De modo a complementar o conteúdo do artigo da revista Panorama, publicamos também outras peças do mesmo período temporal, da autoria dos ceramistas participantes nas referidas mostras.

Desenvolvendo a mesma linguagem do painel de azulejo "Sofisma" (85 x 57 cm),  o painel "Duende" (123 x 76 cm), também de 1959, dá-nos uma noção do cromatismo trabalhado por Maria Manuela Madureira nesta época. Ambos participaram na Échange Culturel Mondial da UNESCO em 1961, organizada pela Académie International de la Céramique de Genève, fazendo actualmente parte das colecções do Museu de Ariana em Genebra, Suiça.


Maria Manuela Madureira  - Duende, 1959. mmm


De Cecília de Sousa, duas jarras realizadas pela autora no ano seguinte à sua participação nas duas  exposições internacionais. A primeira mede 47,5 x 17 cm e a segunda 53 x 14 cm.


Cecília de Sousa - jarras, 1960. Imagens publicadas no catálogo A minha segunda casa... Cecília de Sousa, obra cerâmica 1954-2004, edição do Museu Nacional do Azulejo, 2004.

Produzida na Viúva Lamego, tal como as peças de Cecília de Sousa, uma jarra, com 27 cm de altura, da autoria de Manuel Cargaleiro (n.1927), 1956.

Manuel Cargaleiro - jarra, 1956. S.Domingos

Hansi Staël (1913-1961), recebeu, em 1954, o Prémio Francisco de Holanda, atribuído pelo SNI e, no ano seguinte, seria galardoada com a Medalha de Honra, na Exposição Internacional Les Chefs-d'Ouvres de la Céramique Moderne, em Cannes.
O prato de suspenção, com 39 cm de diâmetro, abaixo reproduzido, foi produzido nas Caldas da Rainha no último ano em que colaborou com a SECLA, 1957.

Hansi Staël - prato de suspensão, SECLA, 1957. Museu Malhoa

Quanto aos ceramistas Fernando Abranches (1920-...) e José Sanches (1916-...), o primeiro iniciou-se na cerâmica em 1950 e participou, a partir de 1951, em várias Exposições de Cerâmica Moderna organizadas pelo SNI, tendo também exposto individualmente.
O segundo trabalhou na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, desempenhando as funções de oleiro-rodista.  Ainda no ano de 1959, ganhou o Prémio Nacional de Cerâmica Sebastião de Almeida, atribuído pelo SNI.


José Sanches - base de candeeiro, 40 cm de altura, Viúva Lamego. © PMC


Do escultor João Fragoso (1913-2000), fundador do Estúdio-Escola de Cerâmica, uma figura feminina, (29 x 22,5 x 11,5 cm) pertencente à colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian.
Esta obra esteve exposta na mostra O tempo em (re)construção: A colecção de cerâmica do CAM - Fundação Calouste Gulbenkian, inaugurada a 7 de Julho de 2011, no Museu Nacional do Azulejo.


João Fragoso - sem título. Col. CAM-JAP. © CMP

De Jorge Barradas, responsável pelo despoletar do movimento de renovação da cerâmica portuguesa após a  Segunda Guerra Mundial, o painel Máscaras (90 x 90 cm), executado na Fábrica de Cerâmica Vúva Lamego em 1959 e actualmente parte das colecções do Museu Municipal Dr. Santos Rocha, na Figueira da Foz.


Jorge Barradas - Máscaras, 1959. © CMP


Finalmente, de Maria de Lourdes Castro uma taça com patine de prata (9,5 cm de altura por 23,5 cm de diâmetro), executada na Fábrica de Loiça de Sacavém, em 1958-1959.


Lourdes Castro - taça, 1958-1959. Imagem publicada no catálogo Maria de Lourdes Castro: Uma Exposição Biográfica, edição do Museu Nacional do Azulejo, 2005.


CMP* agradece aos vários coleccionadores a cedência de imagens de peças das suas colecções, bem como todas as informações e esclarecimentos prestados.